A convite da CAPCOM, estive jogando nos últimos dias Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection para elaborar um preview com minhas impressões iniciais desse spin-off da saga Monster Hunter. E já adianto para vocês: este é um forte candidato a se tornar o melhor RPG de 2026.
Faltando mais de 1 mês para o lançamento oficial de Monster Hunter Stories 3, a CAPCOM já disponibilizou uma demo para todos jogarem as 3 primeiras horas e também posso falar nesta preview até o capítulo 2, mostrando que estão bem confiantes de que o jogo está realmente bom. E não é para menos, depois que terminei a preview tudo o que queria era me debruçar totalmente na história e em todos os sistemas que Monster Hunter Stories 3 tem para oferecer.
História madura e interessante

Logo no começo já é notório que o jogo buscou evoluir a fórmula um tanto quanto infantil do 1 e do 2 para algo mais maduro. Além dos visuais modernizados, charmosos, com personagens mais velhos e um tom mais sério, a própria história também ficou mais adulta e mais interessante de forma geral.
A história apresenta 2 países a beira de uma guerra: Vermeil e Azúria, e quando um ovo de Rathalos é encontrado, um monstro que era considerado instinto, algo estranho acontece. Ao chocar o ovo, Rathalos gêmeos saem de dentro dele com a marca do escamacéu, algo considerado um tabu por ambos os reinos e um presságio de que grandes calamidades estão por vir.
A partir daí, a história se desenvolve com intrigantes tramas políticas entre os 2 reinos enquanto os Rathalos Gêmeos aos poucos se tornam o centro dessa guerra fria que está prestes a explodir em uma guerra real.
Não vou discorrer muito sobre os acontecimentos a partir daqui, pois seria spoiler e é legal acompanhar o desdobrar dessa guerra entre os 2 reinos. Mas algo que quero deixar claro na preview é que os 2 primeiros capítulos da história já trazem muitas reviravoltas e acontecimentos interessantes, me deixando muito curioso para saber o que vai acontecer depois.
Gameplay refinada e viciante

Já no quesito exploração e combate, Monster Hunter Stories 3 melhora o combate do 2, refina e entrega uma experiência extremamente viciante e recompensadora. Quem já jogou os outros jogos da série deve estar familiarizado com o combate baseado em Jokenpô (pedra-papel-tesoura), onde existem 3 tipos de dano: Forte, Veloz e técnico. Cada tipo de dano é forte e fraco contra um dos outros 2 tipos, sendo essa a sequencia: Forte > Técnico > Veloz > Forte.
Para saber que tipo de dano o monstro inimigo vai causar é preciso prestar atenção no comportamento dele, o jogo não te diz com todas as letras o que ele vai fazer em nenhum momento, mas pequenas dicas na postura e no tamanho do monstro já indicam quase que naturalmente o que ele pretende fazer naquele turno.
Essa é uma fórmula bem interessante e única que diferencia Monster Hunter Stories de outros jogos de turno, já que na maioria dos outros jogos existe um catálogo mostrando o tipo de dano e o que o inimigo é fraco aparecendo em algum lugar da HUD, algo que não existe aqui. Nesse sentido, o spin-off Stories é bem fiel ao Monster Hunter de ação original, onde você precisa estudar o comportamento do monstro para conseguir vencer ele.
Além disso, o monstro inimigo pode (e vai) mudar a postura de ataque no meio da batalha, mudando assim o tipo de ataque que ele vai fazer e sua fraqueza, precisando descobrir novamente o que o monstro vai fazer na batalha. Apesar de não ser um jogo de turno reativo como Mario RPG, Sea of Stars e Clair Obscur, Monster Hunter Stories 3 acaba passando essa sensação, pois você tem que estar ativo a todo momento olhando os detalhes do monstro para conseguir vencer a batalha, o que acaba demandando tanta atenção quanto um jogo de turnos reativo.

E não para por aí, a batalha consiste em 4 membros da sua equipe: você, seu monstro, um companheiro humano e o monstro dele. O seu monstro pode ser qualquer um dos monstros disponíveis do jogo depois que achar um ovo e chocar ele. Cada um dos monstros tem habilidades únicas e jeitos diferentes de batalhar, com você podendo comandar seu próprio monstro livremente ou deixar ele tomar as decisões sozinho. Já o seu companheiro humano e o monstro dele não podem ser controlados diretamente, o que inicialmente parece um pouco estranho, mas depois fica claro que faz sentido dentro do ritmo do combate.
Além de tudo isso, é possível personalizar os ataques dos seus monstros antes da batalha começar através do ritual de legado em um acampamento, dentro do combate podemos montar o monstro após encher a barra de afinidade ou usar um ataque duplo caso você coordene com seu monstro o mesmo tipo de ataque e vençam um jokenpô em conjunto contra o inimigo.
Tudo o que eu falei parece complicado demais, mesmo tentando simplificar o máximo possível no texto. Mas aqui é justamente o pulo do gato: Monster Hunter Stories 3 é na verdade bem simples de entender e faz um ótimo papel ensinando o jogador tudo o que falei acima. Não se deixe intimidar pela lista de mecânicas que tem no combate, o jogo introduz todas elas aos poucos e de uma forma que faz muito sentido, quando menos se espera você já masterizou rapidamente o combate e é fácil ficar completamente viciado nele.

Para completar o bom combate do jogo, a exploração também está muito bem feita e variada. Diferente dos jogos anteriores, que eram basicamente um grande mapa aberto plano, Monster Hunter Stories 3 entrega um mapa com bastante verticalidade e progressivamente legal de se explorar.
Muitos locais precisam de tipos de monstros específicos para alcançar, o Rathalos é capaz de planar pelos céus para alcançar lugares altos, mas não pode nadar, exigindo que o jogador tenha um monstro aquático na equipe para conseguir atravessar rios e lagos com eficiência.
Na preview, nós podemos jogar até o segundo mapa semi-aberto do jogo e além de visualmente diferente, ele também introduz mecânicas novas de locomoção para o jogador, trazendo um frescor imediato para a exploração, não permitindo que ela se torne enjoativa.

Por fim, é necessário falar sobre o quão bonito e artisticamente coeso Monster Hunter Stories 3 é. Os jogos anteriores tinham uma aparência e tom mais infantil, mas o 3 trouxe um ar moderno, adulto e uma direção de arte absurdamente superior aos outros jogos.
Os gráficos são muito bem feitos e todos os elementos conversam entre si de forma fantástica, a dublagem em Japonês está excelente, com os personagens sendo bem carismáticos graças as boas vozes por trás deles.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection já parecia promissor por tudo o que tínhamos visto até agora, mas falo com tranquilidade que ele pode ser um dos candidatos a RPG do ano e essa prévia me deixa muito animado para ver o que me aguarda no jogo final.
Preview feita com chave para PS5 cedida pela publisher.

