Asha Sharma voltou a colocar a estratégia de exclusividade da Xbox no centro do debate ao afirmar que uma plataforma precisa de “conteúdos e serviços exclusivos”. A CEO da divisão de games da Microsoft comentou o assunto durante um evento da Bloomberg Live, realizado na quinta-feira, 4 de junho, e disse que o tema está sendo analisado “muito de perto” pela empresa.
A fala chama atenção porque chega em meio à tentativa da Microsoft de equilibrar dois papéis que nem sempre caminham juntos. De um lado, a companhia segue como uma grande publisher, o que exige alcançar o maior público possível. De outro, a Xbox quer se consolidar cada vez mais como plataforma, algo que, segundo Sharma, depende justamente de ofertas exclusivas para fortalecer seu ecossistema.
“É um tema difícil”, afirmou a executiva. “Somos o segundo maior publisher do mundo e, para ser um grande publisher, você precisa que seus jogos alcancem grandes audiências. Ao mesmo tempo, estamos cada vez mais nos tornando uma plataforma, e para se tornar uma plataforma, você precisa ter conteúdo e serviços exclusivos. Por isso, estamos analisando isso muito de perto.”
A declaração reforça o que ela já havia indicado anteriormente, quando prometeu reavaliar a abordagem da Xbox em relação à exclusividade. O contexto pesa ainda mais porque a Microsoft passou a levar jogos first-party para PlayStation 5 e Nintendo Switch 2, movimento que foi visto por parte da comunidade Xbox como um enfraquecimento do valor da própria plataforma.
Sharma disse que não existe uma resposta única para esse dilema e defendeu uma análise caso a caso. “Acho que precisamos ser muito ponderados sobre cada título, em como queremos pensar a respeito dele, e aprender com casos semelhantes na indústria. É isso que estamos fazendo”, explicou.
A participação no evento também serviu como uma espécie de balanço dos primeiros 100 dias de Sharma no cargo, assumido no início deste ano após a saída de Phil Spencer. Segundo ela, o período foi produtivo e marcou uma tentativa de recuperação interna. A executiva afirmou que a empresa entregou mais nos últimos 100 dias do que no ano anterior e destacou a redefinição do Game Pass, que teria voltado a crescer após um período de queda na retenção.
Para os próximos meses, a meta é ainda maior: reposicionar o negócio e recolocar a Xbox em trajetória de crescimento. A fala de Sharma deixa claro que a empresa não pretende abandonar a lógica de expansão, mas também não parece disposta a tratar exclusividade como um detalhe. Em uma fase em que a marca tenta se reinventar, esse equilíbrio pode definir o tamanho da força da Xbox daqui para frente.



