Enquanto corta milhares de empregos e reorganiza seu portfólio de estúdios, o Xbox revelou uma ambição ousada para o futuro: se tornar uma das poucas empresas do mundo capazes de entreter mais de 1 bilhão de pessoas por dia. A meta foi declarada pela CEO da divisão, Asha Sharma, em uma carta interna aos funcionários que também detalha a mais profunda reestruturação já vista na história da marca.
Uma reestruturação de escala inédita
Sharma confirmou o corte de aproximadamente 3.200 posições ao longo do ano fiscal de 2027, sendo 1.600 eliminações imediatas e outras 1.600 previstas para o restante do período. Além disso, quatro estúdios deixarão a estrutura da Xbox Game Studios sob novas gestões. Segundo a executiva, o negócio atual “não está saudável”, operando com margens entre 3 e 10 vezes menores do que empresas comparáveis de plataforma e publicação — um cenário agravado pela atual crise de custos de hardware no setor.
Reset em três frentes
A executiva estruturou a mudança em três pilares centrais:
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Portfólio de conteúdo: a Xbox vai reduzir sua estrutura de estúdios internos, devolvendo Compulsion Games e Double Fine à própria gestão, e transferindo Ninja Theory e Undead Labs para novos donos, mantendo financiamento para concluir Senua e State of Decay 3.
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Plataforma: a empresa quer simplificar a operação, reduzindo camadas de gestão para no máximo cinco (idealmente três) e cortando 50% dos gastos com fornecedores.
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Modelo de operação: foi criado o cargo de Chief Operating Officer, ocupado por Helen Chiang, responsável por unificar conteúdo, hardware, plataforma e serviços sob uma única estrutura de decisão.
Mojang e King ganham mais peso
Como parte da reorganização, Mojang e King passarão a reportar diretamente à liderança do Xbox, reconhecendo o papel dessas marcas como as maiores em jogadores ativos mensais dentro do ecossistema. Sharma destacou que ambas funcionam cada vez mais como plataformas, trazendo alcance geográfico e demográfico estratégico para a companhia.
Foco no crescimento futuro
Apesar da escala dos cortes, a mensagem da executiva reforça que as mudanças fazem parte de um plano para um futuro maior, não menor, para o Xbox. Sharma afirma que a companhia continuará investindo fortemente na marca, mas com mais foco e disciplina, projetando retorno ao crescimento em 2027 e reafirmando a ambição de transformar o Xbox no maior ecossistema de entretenimento interativo do mundo — ainda que o caminho até lá passe, por ora, por uma das reestruturações mais dolorosas de sua trajetória.

