A situação da Xbox continua caótica mesmo após uma nova rodada de demissões que afetou cerca de 268 funcionários, segundo um desenvolvedor da id Software que preferiu não revelar o nome. Para ele, as mudanças promovidas pela liderança ainda não apresentaram uma direção clara para o futuro da divisão.

Asha Sharma, CEO da divisão, vem conduzindo um processo descrito internamente como um “reset” desde que assumiu o cargo. No entanto, as decisões tomadas até agora estariam concentradas principalmente no aumento da receita e dos lucros no menor prazo possível, sem uma estratégia de longo prazo claramente comunicada aos estúdios.
O desenvolvedor afirmou que a tentativa de aproximar a liderança das equipes não resolveu o problema de comunicação. Na avaliação dele, as conversas continuam dominadas por linguagem corporativa e não apresentam planos concretos além da cobrança por resultados financeiros imediatos.
“As coisas continuam muito caóticas. Embora tenha havido uma tentativa de comunicação com os estúdios, ela ainda é totalmente baseada em conversa corporativa cheia de besteira. Continuo sem acreditar que eles tenham uma visão clara para o futuro. A única coisa concreta que comunicaram é que querem lucros maiores, e querem isso agora”, declarou.
As metas estabelecidas pela administração também seriam consideradas agressivas e pouco realistas pelos funcionários. De acordo com o relato, os objetivos já pareciam difíceis de alcançar antes mesmo dos cortes, enquanto o moral das equipes teria continuado a cair após as demissões.
“Dizer que os funcionários do Xbox têm uma visão sombria do futuro é pouco. Continuamos pensando que o moral não pode cair mais, mas a incompetência evidente da administração continua fazendo com que despenque ainda mais”, completou o desenvolvedor.
Em julho, Sharma havia informado que a empresa faria cortes que resultariam na demissão de aproximadamente 1,6 mil pessoas. Na ocasião, a redução foi apresentada como apenas uma etapa de um processo que poderia incluir outros 1,6 mil desligamentos antes do fim do ano fiscal.
O cenário descrito reforça que o principal problema da Xbox não está apenas no número de demissões, mas também na falta de clareza sobre os próximos passos. Sem uma comunicação capaz de explicar objetivos além do aumento imediato dos lucros, a liderança corre o risco de aprofundar a instabilidade entre os estúdios.

