Jason Schreier, jornalista da Bloomberg, revelou que a divisão de jogos da Xbox enfrenta uma grave crise interna, com rondas de demissões massivas e possíveis fechamentos de estúdios previstos para julho de 2026. Fontes internas utilizam o termo “banho de sangue” para descrever o cenário de reestruturação que se aproxima na empresa.

Segundo Schreier, a atual situação problemática tem raízes em decisões estratégicas da Microsoft ao longo da última década. O jornalista destacou a chegada conturbada do Xbox One, que fez o Xbox perder a vantagem conquistada durante a era do Xbox 360, cedendo espaço para o PlayStation 4 no mercado. Além disso, os investimentos bilionários da Microsoft nos últimos anos, inclusive a aquisição da Activision Blizzard, aconteceram em um período de crescimento acelerado do setor durante a pandemia, mas não impediram a deterioração da situação interna.
O jornalista ainda listou incidentes que evidenciam a crise na divisão: quatro demissões em massa nos últimos dois anos, o fechamento de estúdios como Arkane Austin e Tango Gameworks — sendo que este último foi posteriormente adquirido pela Krafton — e o cancelamento de projetos importantes como Everwild, Perfect Dark e Project Blackbird.
Impactos da estratégia do Game Pass nos estúdios internos

Schreier também abordou as controvérsias em torno do serviço de assinatura Game Pass e suas consequências. Ele mencionou que o lançamento da franquia Call of Duty no serviço provocou debates dentro da empresa, com críticas de que o Game Pass estaria canibalizando as vendas de jogos individuais, prejudicando a receita e afetando negativamente os estúdios internos.
Alguns desses estúdios, como Double Fine e Compulsion Games, seguiram a estratégia recomendada pela Microsoft ao focar em experiências diferenciadas para enriquecer o catálogo do Game Pass, lançando títulos como Kiln e South of Midnight. No entanto, esses estúdios acabaram sendo prejudicados por tais escolhas.
Schreier afirmou: “Muitos desses estúdios cometeram seus próprios erros, mas, de várias maneiras, eles estão sendo punidos hoje por terem seguido ordens”. Ele reforçou que a situação será “bastante brutal” e reiterou a expressão “banho de sangue” usada por pessoas próximas ao processo.
O jornalista também explicou que a instabilidade vivida pelos estúdios ao longo da última década dificulta a criação de grandes títulos. “É muito difícil criar grandes obras quando se trabalha sob o medo de demissões, turbulências, cancelamentos e fechamentos”, concluiu Schreier.

