Você sabia que a urna eletrônica brasileira roda Linux? Conheça o Uenux

A urna eletrônica brasileira roda Linux desde 2008, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu a migração de diferentes sistemas operacionais para uma plataforma única chamada Uenux, sigla para “Urna Eletrônica com Linux”. A mudança foi resultado de um projeto desenvolvido pela equipe técnica do próprio TSE.

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Antes da unificação, diferentes modelos utilizavam sistemas distintos. As urnas mais antigas rodavam o VirtuOS, um clone do MS-DOS desenvolvido por uma empresa brasileira, enquanto modelos posteriores utilizavam diferentes versões do Windows CE. Isso fazia com que alterações no software precisassem ser adaptadas e testadas em plataformas diferentes.

Após as eleições de 2006, o TSE decidiu reconstruir a plataforma de software para utilizar Linux. O projeto levou cerca de 18 meses e envolveu uma equipe de aproximadamente 20 programadores e testadores. Foi necessário adaptar o Linux ao hardware específico das urnas, além de desenvolver bootloader, drivers, bibliotecas e os aplicativos utilizados no processo eleitoral.

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O Uenux foi utilizado pela primeira vez nas Eleições Municipais de 2008, quando estava instalado nas cerca de 450 mil urnas utilizadas naquele pleito. Segundo o TSE, a mudança trouxe maior domínio sobre os componentes de software, mais agilidade para correções e melhorias e maior estabilidade.

É o Uenux que faz a urna funcionar

Entre os programas executados pela plataforma está o Vota, o software com o qual o eleitor interage durante a votação. É nele que são digitados os números dos candidatos, conferidos nomes e fotos e confirmados os votos.

O Uenux, porém, não se resume ao programa de votação. A plataforma também reúne componentes responsáveis por tarefas como inicialização do sistema, comunicação com os dispositivos da urna, instalação, testes de hardware, validação de dados, recuperação de resultados e procedimentos de auditoria.

A estrutura atual também utiliza mecanismos de segurança e verificação. O TSE publica, por exemplo, resumos digitais (hashes) dos sistemas eleitorais, permitindo a verificação dos arquivos utilizados pelas urnas. Nas urnas mais recentes, também existem arquivos relacionados à configuração e à assinatura digital do Uenux.

Outro detalhe é que a urna não funciona como um computador convencional conectado à internet. O próprio TSE afirma que, durante o desenvolvimento do Uenux, não foram incluídos componentes de comunicação em rede, já que as urnas não se comunicam com outros dispositivos por conexões com ou sem fio.

Por que o TSE escolheu o Linux?

A mudança para o Linux teve como uma das principais razões a necessidade de unificar o ambiente de software. Manter três sistemas operacionais diferentes significava repetir o trabalho de desenvolvimento e manutenção para cada plataforma.

O Linux também permitiu ao TSE ter maior controle sobre a plataforma. Em vez de depender de sistemas proprietários diferentes para cada geração de urna, a equipe passou a manter uma plataforma adaptada especificamente ao equipamento eleitoral.

A história do Uenux mostra que, por trás da interface utilizada pelo eleitor para apertar o botão “confirma”, existe uma estrutura de software embarcado desenvolvida especificamente para as urnas brasileiras. O Linux é uma das partes dessa arquitetura, que também envolve aplicativos eleitorais, mecanismos de segurança, processos de verificação e ferramentas de auditoria.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.