Vem, Exu transforma conto afro-brasileiro em narrativa interativa emocional

O Estúdio Tejo, de Fortaleza, lançou a demo de Vem, Exu, um conto interativo inspirado em “Exu Ficou Com Medo”, do livro Contos de Exu, de Rafael Semino. O jogo acompanha um menino que, após perder sua arraia em uma briga com o irmão, mergulha em uma tempestade onde sonho e realidade se misturam, criada pela própria raiva que ele carrega ao dormir.

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Uma narrativa contada pela interação

Youtube video

Vem, Exu aposta em uma experiência com poucos textos, na qual a história é compreendida principalmente através das ações do jogador, do som e do movimento dentro do ambiente. As mecânicas incluem estourar bolhas para conseguir dormir, conectar estrelas para formar constelações, montar uma arraia peça por peça e controlá-la pelo céu, além de atravessar o espaço tocando planetas — tudo isso sem pressão de tempo ou possibilidade de falha, priorizando curiosidade e observação.

Identidade visual e sonora

A direção de arte do jogo é inspirada em xilogravura e literatura de cordel, utilizando uma paleta em preto, branco e vermelho que remete à estética brasileira. A trilha sonora reativa reforça essa identidade com percussão afro-brasileira e sonoridades características do Ceará, reforçando o compromisso do estúdio em ampliar a presença de narrativas de matriz africana no meio digital.

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Disponibilidade e formato

A demo gratuita já está disponível no Google Play e chega em breve à Steam, com duração de aproximadamente 15 minutos, enquanto a experiência completa deve durar cerca de 50 minutos quando for lançada em 2027. O jogo foi desenvolvido na engine Godot e está disponível em 12 idiomas, buscando ser acessível tanto para jogadores experientes quanto para quem nunca teve contato com jogos antes, em uma proposta que dialoga com títulos como Florence, Journey e GRIS.

É bastante raro ver um projeto indie brasileiro tratar com tanto cuidado estético e narrativo uma figura tão significativa da cultura afro-brasileira, especialmente em um formato acessível e livre de barreiras de idioma. Vem, Exu tem potencial para se tornar uma referência importante de como jogos podem servir de ponte entre literatura regional, ancestralidade e linguagem interativa contemporânea.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.