Vagrant Story recebeu um port não oficial para PC que transforma o clássico de PlayStation em uma experiência nativa para computadores, sem depender de emulação. Desenvolvido por Daemeous, o projeto também adiciona recursos gráficos modernos e duas melhorias de gameplay que podem alterar bastante a forma de jogar.
Chamado de rood-boi, o port foi criado para Linux e também pode ser compilado para Windows a partir de Linux ou WSL. A iniciativa utiliza a reconstrução do código original de Vagrant Story, compilado para a arquitetura x86-64. Dessa forma, o jogo roda diretamente no computador, enquanto uma camada própria reproduz funções que antes pertenciam ao hardware do PlayStation, como GPU, áudio, unidade de CD, cartões de memória e controles.
Gráficos modernos sem abandonar o visual original
O projeto mantém elementos que definem a identidade visual do RPG, incluindo as texturas filtradas pelo método original, a geometria característica e os elementos em 2D. Ao mesmo tempo, substitui parte da tecnologia de renderização por uma estrutura baseada em Vulkan ou OpenGL, com suporte a iluminação avançada.
Entre as opções disponíveis estão sombras suaves com ray tracing, iluminação indireta por pixel com path tracing, iluminação global baseada em sondas DDGI, mapas de sombra, oclusão de ambiente e névoa volumétrica. A iluminação com path tracing pode utilizar o NVIDIA NRD para reduzir ruídos na imagem. Também existem diferentes predefinições, permitindo escolher entre a iluminação pré-renderizada do jogo original e uma apresentação remasterizada.
O port ainda inclui um editor em tempo real inspirado em ferramentas da Unreal Engine. Com ele, é possível movimentar livremente a câmera e ajustar fontes de luz enquanto a partida está em andamento, recurso que amplia as possibilidades de análise e personalização visual.
Duas mudanças que afetam diretamente a jogabilidade
Apesar do impacto visual, as novidades mais relevantes estão nas funções opcionais de gameplay. A primeira é a inclusão de espaços para armas, permitindo alternar rapidamente entre diferentes equipamentos durante a aventura. A mudança é especialmente útil porque os tipos de dano têm grande importância no sistema de combate de Vagrant Story.
A segunda adição é um mod opcional que coloca Callo Merlose ao lado de Ashley Riot durante a campanha. A personagem age de forma independente, participando das lutas, curando o protagonista e lançando magias sem exigir comandos constantes do jogador.
Para preservar a proposta da missão individual de Ashley, Merlose desaparece durante as cenas de história. A implementação tenta fazer com que a companheira pareça integrada ao jogo original, em vez de simplesmente funcionar como um personagem adicional desconectado da narrativa.
Uma nova forma de jogar um clássico da Square Enix
Vagrant Story continua sendo um dos títulos mais particulares da Square Enix por combinar elementos de ação e combate baseado em turnos, além de apresentar uma versão sombria de Ivalice, cenário também associado a Final Fantasy Tactics e Final Fantasy XII.
Por ser não oficial, o projeto não substitui um eventual remaster produzido pela Square Enix, mas oferece uma maneira tecnicamente ambiciosa de revisitar o RPG no PC. As melhorias de iluminação chamam atenção, porém a troca rápida de armas e a participação opcional de Merlose parecem ter impacto mais concreto na experiência, especialmente para quem já conhece as limitações e particularidades do sistema de combate.

