O presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, revelou durante a apresentação de resultados financeiros da empresa que o recente reajuste de preço do Switch 2 não é suficiente para cobrir todos os custos extras acumulados. A declaração, traduzida pelo Nintendo Patents Watch, levanta uma questão desconfortável: se o aumento atual já não resolve o problema, o que impede que um novo reajuste aconteça em breve?
Furukawa foi direto ao afirmar que a nova precificação “não cobre totalmente todos os aumentos de custos”, sinalizando que a Nintendo absorveu parte do prejuízo conscientemente para não frear o momentum de vendas do console. “Embora quiséssemos priorizar uma adoção ampla, ficou difícil absorver os custos crescentes por um longo período”, disse o executivo, que também pediu desculpas formais aos consumidores pelo transtorno.
O preço subiu, mas os problemas que causaram o aumento continuam
Admitting that the new pricing may increase “barrier” to purchase, Furukawa has an answer: more Nintendo games.“We will prepare a robust software lineup to enhance the Switch 2 ownership value. We will work diligently to overcome this barrier.”As is customary for a Japanese CEO, he added: …1/
— Nintendo Patents Watch (@ninpatentswatch.bsky.social) 2026-05-08T23:55:36.296Z
Segundo reportagem da Reuters, a Nintendo concluiu que os fatores responsáveis pelo reajuste, como o encarecimento da memória, a desvalorização do iene e a alta nos preços do petróleo bruto, devem persistir no médio e longo prazo. Não são problemas conjunturais com data para acabar. São pressões estruturais que a empresa decidiu enfrentar com um aumento que, por admissão própria, não resolve a equação.
A partir de 1º de setembro, o Switch 2 custará US$ 499,99 nos Estados Unidos, alta de US$ 50. Na Europa, o console chega a €499,99, e no Canadá a CA$ 679,99. O Japão já sente o impacto antes: no dia 25 de maio, todos os produtos Nintendo no país, incluindo o Switch original, terão reajuste de aproximadamente ¥10.000.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando observado no contexto da indústria. No ano passado, Sony e Microsoft aumentaram o preço de seus consoles. Em março, a Sony anunciou uma alta de US$ 100 no PS5, e desde o lançamento em 2020 a versão Digital Edition já acumulou 50% de aumento nos Estados Unidos e no Reino Unido. A Nintendo seguiu o mesmo caminho, mas diferente dos concorrentes, já avisou que o movimento pode não ter sido suficiente.
Furukawa aposta que um catálogo robusto de jogos vai convencer os consumidores a aceitar o novo preço. A promessa é válida, mas não resolve a aritmética dos custos. Se as pressões econômicas se intensificarem ou o iene continuar fraco, a Nintendo terá que escolher entre absorver ainda mais prejuízo ou voltar ao consumidor com outro reajuste. A empresa já fez essa escolha uma vez de forma parcial. Nada garante que da próxima vez ela não vá até o fim.


