Ubisoft declarou que o estúdio “realmente exauriu o PS5” durante o desenvolvimento de Assassin’s Creed Black Flag Resynced, uma reformulação técnica completa que vai além do simples remaster. A equipe técnica, incluindo o diretor Jussi Markkanen e o arquiteto Nicolas Lopez, detalhou os avanços tecnológicos aplicados para maximizar desempenho e qualidade gráfica no PlayStation 5.
A produção do game partiu da versão aprimorada de Assassin’s Creed Shadows, reconstruindo praticamente todos os elementos originais para se adequar a uma pipeline moderna de rendering baseada em física (PBR). Como os ativos originais não contemplavam técnicas como ray tracing, os artistas refizeram malhas e materiais do zero, aumentando drasticamente a densidade de geometria sem perder a identidade visual original. O resultado é um ambiente significativamente mais complexo, como a cidade de Havana, que dobrou em densidade e número de personagens em relação a Assassin’s Creed Shadows.

O time enfrentou o desafio de manter boas taxas de quadros sem alterar layouts ou missões originais, apostando em escalabilidade nos sistemas de CPU e GPU para otimização. As mecânicas de gameplay receberam atualizações importantes: o sistema de stealth foi remodelado para permitir agachar em qualquer lugar e responder à iluminação dinâmica, substituindo zonas fixas antigas. A destruição ambiental ganhou elementos pequenos e físicos passíveis de interação, ampliando a imersão.
Quanto aos personagens, o sistema de cabelo baseado em fios, presente em Assassin’s Creed Shadows, foi reaplicado e otimizado, especialmente para cabelos loiros mais comuns em Black Flag. No quesito facial, preservaram as performances originais de captura de movimento, porém com malhas e shaders mais detalhados, adicionando microexpressões para maior realismo, especialmente em movimentos labiais complexos.
Graficamente, equilibrar a estética de um título pré-PBR com uma pipeline moderna foi uma prioridade. A equipe privilegiou a fidelidade à memória visual do jogo original, adaptando técnicas como iluminação, neblina e materiais para a tecnologia atual, incluindo ray tracing garantido em todos os modos e consoles contemporâneos. Para isso, usaram resoluções reduzidas com sistemas avançados de filtro e upscaling para manter qualidade visual e desempenho.

O mundo do Caribe foi transformado em um espaço aberto contínuo sem telas de carregamento para as cidades, exigindo remodelação sutil e integração de ilhas de DLC. A tecnologia da água foi completamente reescrita com tesselação computacional, novos sistemas de espuma e simulações realistas de translucidez e caustics, elevando o visual a um novo patamar.
Ray tracing, elemento central, foi aplicado de forma híbrida e otimizada para diferentes plataformas, com resoluções ajustadas por modo e uso de técnicas que priorizam desempenho e qualidade, inclusive na Series S. Além disso, o jogo conta com um gerenciador granular para configurar centenas de parâmetros por sistema, modo gráfico e contexto de jogo, permitindo afinações precisas e envolvimento das fabricantes para otimização.
No PC, o título amplia ainda mais esses recursos com resolução interna maior, sombras aprimoradas e opções detalhadas para ray tracing, além de suporte a múltiplos upscalers e um sistema interno de pré-compilação de shaders para eliminar engasgos comuns.
Para os desenvolvedores, criar Resynced foi equivalente a construir um jogo novo. Sistemas de navios, animações, stealth, faces e estrutura do mundo foram reelaborados profundamente. Visando uniformidade visual entre os modos e plataformas, a equipe fez ajustes significativos para que Black Flag Resynced entregue a experiência nostálgica esperada, porém com a ambição técnica e responsividade que se espera de um título de primeira linha na geração atual.

