Troy Baker, ator de The Last of Us e Indiana Jones and the Great Circle, acredita que a ascensão da inteligência artificial não representa uma ameaça real para a arte e os criadores. Em entrevista ao site The Game Business, o veterano do setor de games afirmou que, apesar da capacidade das ferramentas generativas de produzir conteúdo, elas não conseguem criar arte verdadeira, já que essa exige vivência e intenção humanas.
Segundo Baker, a discussão não precisa girar em torno do medo da substituição, mas sim da escolha criativa. Para ele, a IA pode gerar conteúdo em grande escala, mas isso só deve aumentar o valor percebido de experiências autênticas. “A IA pode fazer conteúdo melhor do que os humanos, sem dúvida. Mas isso vai empurrar as pessoas para o autêntico, para histórias com intenção”, comentou o ator.
A saturação de conteúdo como ponto de virada
Baker argumenta que a produção acelerada de conteúdo artificial tende a gerar um efeito reverso no público, que buscará cada vez mais obras feitas com propósito. “Quero uma experiência direta, e não aquele caldo ralo que recebo através de um espelho negro”, afirmou, em referência crítica ao consumo passivo de conteúdo enlatado.
Apesar de sua visão positiva, o debate segue intenso dentro da indústria. Enquanto artistas e desenvolvedores se mostram geralmente mais céticos, executivos tendem a apoiar com mais entusiasmo a adoção da IA em jogos e processos criativos. A divisão de opiniões reflete o impacto crescente da tecnologia na produção de games e na relação com os jogadores, que muitas vezes reagem negativamente quando descobrem que IA foi usada em títulos que acompanham.
Contraponto de Bruce Straley mantém debate aceso
Bruce Straley, codiretor de The Last of Us e atual líder do estúdio Coven of the Chicken Foot, declarou recentemente que não pretende usar IA generativa em seus projetos, mesmo que os resultados se tornem convincentes. “Não acho que escrever prompts seja arte”, afirmou. Straley também questiona quem realmente está pedindo o uso dessas tecnologias, sugerindo que seu avanço representa um desvio na evolução criativa da humanidade.
Enquanto isso, Baker representa uma abordagem mais pragmática. Para ele, o surgimento da IA não apaga o papel do artista, mas sim reforça sua importância ao permitir que o público perceba com mais clareza o que é feito com alma, e o que é apenas gerado por conveniência.

