Super Smash Bros Melee ganha port nativo experimental para PS Vita

Super Smash Bros Melee ganhou um port nativo experimental para PS Vita, permitindo executar a versão NTSC-U 1.02 do clássico do GameCube diretamente no portátil da Sony. O projeto está atualmente na versão 0.7.1 e foi desenvolvido a partir de trabalhos de engenharia reversa e portabilidade do jogo para PC.

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Diferentemente de uma solução baseada em emulação, o projeto compila o código de Melee para o hardware do PS Vita e substitui os serviços específicos do GameCube por implementações compatíveis com o portátil. Isso inclui sistemas de controles, leitura do jogo, áudio, salvamento, reprodução de vídeos e renderização gráfica.

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O projeto utiliza como base trabalhos do melee-pc, doldecomp/melee e aurora, enquanto o renderizador converte a tecnologia GX utilizada pelo GameCube para GXM, o sistema gráfico do PS Vita. Os shaders são gerados e compilados utilizando ferramentas específicas da plataforma.

Port ainda está em desenvolvimento

Apesar de já permitir jogar Super Smash Bros Melee no PS Vita, o projeto está longe de ser considerado uma versão final. O próprio desenvolvedor alerta para possíveis quedas de desempenho, problemas visuais, falhas de áudio e vídeos e até travamentos.

O desempenho também pode variar de acordo com o cenário, personagem e estágio utilizado, e o projeto não promete uma taxa de quadros fixa. Por isso, a recomendação é fazer um backup dos arquivos de save antes de testar novas versões.

Outro problema conhecido é a compilação dos shaders durante a execução. Quando o jogador acessa personagens, fases, menus ou efeitos que ainda não tiveram seus shaders processados, podem ocorrer travamentos momentâneos ou quedas de desempenho. O projeto mantém um cache em ux0:data/melee/shadercache/, que permanece entre as sessões e tende a reduzir essas interrupções conforme o jogador utiliza o jogo.

Como os controles foram adaptados

O port utiliza os controles físicos do PS Vita como se fossem o primeiro controle do GameCube. O analógico esquerdo funciona como o controle principal, enquanto o direito assume a função do C-Stick.

Os botões também foram adaptados para reproduzir o layout original. O botão Cross corresponde ao A, Circle ao B, Square e Triangle funcionam como X e Y, enquanto L e R assumem os gatilhos utilizados para o escudo. O Select substitui o Z e o Start mantém a função de pausa.

Há algumas limitações nessa adaptação. Os gatilhos L e R funcionam apenas como entradas digitais, portanto não reproduzem diferentes níveis de pressão. Touchscreen, vibração, controles externos e múltiplas portas para jogadores humanos ainda não estão implementados no sistema atual.

O projeto também possui um menu chamado Vita Options, acessível pelas configurações do jogo, que permite alterar a resolução de renderização e remapear os botões do portátil.

Port utiliza a própria imagem do jogo

Para executar o projeto, é necessário possuir uma imagem descompactada e legalmente obtida de Super Smash Bros Melee NTSC-U 1.02, identificada como GALE01.iso. O projeto não distribui a imagem do jogo nem outros arquivos proprietários da Nintendo.

A imagem deve ser colocada no armazenamento do PS Vita, no caminho definido pelo projeto. O VPK oficial utiliza o título MLVITA002 e aparece como Smash Melee Vita na LiveArea.

O port também possui um sistema próprio de memória virtual para os saves, armazenado em ux0:data/melee/save/. O projeto oferece ainda suporte à importação e exportação de arquivos .gci, permitindo trabalhar com saves compatíveis com o formato utilizado pelo Dolphin.

Recursos ainda não disponíveis

O port já conta com renderização nativa em GXM, shaders GX/TEV gerados durante a execução, controles do Vita, leitura direta da imagem do jogo, áudio, salvamento e reprodução de vídeos THP. Ainda assim, os próprios desenvolvedores deixam claro que isso não significa que todos os modos do jogo estejam funcionando perfeitamente.

Entre as principais limitações está a ausência de jogo online e rollback. Recursos presentes na versão para PC, como determinadas opções de configuração, streaming de trilha sonora personalizada e alguns sistemas de cheats, também não estão disponíveis no port para Vita.

O projeto é independente e não possui vínculo com Nintendo, HAL Laboratory ou Sony. O código também reúne componentes de diferentes projetos e tecnologias da comunidade de desenvolvimento do PS Vita.

Por enquanto, portanto, Smash Melee Vita deve ser encarado como um experimento de portabilidade, e não como uma versão definitiva de Melee para o portátil. Ainda assim, o fato de o jogo estar sendo recompilado e executado de forma nativa no hardware do PS Vita demonstra o avanço do projeto e da comunidade de desenvolvimento da plataforma.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.