Steins;Gate Re:Boot – Análise – Review – Vale a pena

Steins;Gate é um das visual novels mais aclamadas e queridas pelos fãs do gênero de ficção científica, por sua história bem amarrada, personagens únicos, finais emocionantes e por ser uma das poucas com animação que faz jus ao material original.

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Com base nisso, não é de se estranhar que a Mages queira ordenhar mais essa vaca leiteira do universo de Science Adventure, mas um reboot era realmente necessário? Eu tinha as minhas dúvidas no início, mas já adianto que sim, Steins;Gate Re:Boot é necessário e define um rumo novo para toda a franquia, como uma nova porta de entrada para esse universo.

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Considerando isso, farei uma análise sem spoilers do jogo considerando pessoas que estão conhecendo a obra pela primeira vez.

O que é Steins;Gate?

Steins;Gate Re:Boot – Análise – Review – Vale a pena

Steins;Gate é uma visual novel de ficção científica que faz parte de um universo compartilhado de VNs, chamado Science Adventure – mas possui história completamente independente, centrada em viagens no tempo.

O jogo se passa na cidade japonesa de Akihabara, em 2010, e conta a história de um grupo de jovens que, acidentalmente, criam um método de enviar mensagens para o passado, podendo fazer alterações no tempo e lidando com as possibilidades e consequências disso.

Okabe Rintaro – Okarin para os amigos e também o autoproclamado cientista louco Hououin Kyouma – é o protegonista da história, fundador do laboratório Future Gadget Lab. É por seu ponto de vista que o jogador acompanha todo o desenrolar da trama, toma decisões e colhe os frutos (ou sofre as consequências) de tudo o que faz.

Cada personagem do game possui personalidade completamente única e cativante. É um elenco realmente inesquecível. Hashida Itaru, ou Daru, é um super hacker otaku pervertido braço direito de Okarin; Shiina Mayuri é uma garota inocente e extremamente amável, amiga de infância do protagonista e atualmente sua “refém”; Makise Kurisu, ou Christina, é uma jovem cientista gênio apaixonada por experimentos e que compete intelectualmente com Okarin. Há outra meia dúzia de personagens secundários muito importantes para o desenrolar da história e com personalidades únicas e marcantes como os principais.

Jogabilidade

Por ser uma visual novel, é de se pensar que o jogo não ofereceria muito em termos de jogabilidade, mas Steins;Gate consegue integrar tudo muito bem com a temática, bastante centrado no uso do celular e na construção de conversas entre os personagens.

Steins;Gate tem um esquema muito interessante de escolha de diálogos chamado Phone Trigger,
onde o jogador escolhe palavras específicas dentro das mensagens recebidas e inicia novos diálogos a partir destas palavras. Esses novos diálogos vão construindo uma narrativa de relacionamento com cada personagem específico que pode ou não determinar o rumo de toda a história e o final que o jogador verá.

Além do Phone Trigger, há ainda a liberdade de tomar decisões durante os diálogos, seja ligando ou enviando uma mensagem para outro personagem ou atendendo/recusando uma ligação. Essas ações também ajudam a definir a rota que o jogador seguirá, sem quebrar o fluxo da narrativa nem tirar você da atmosfera que é construída – um trunfo realmente louvável.

A forma com que essas mecânicas de jogabilidade são integradas aos diálogos e desenvolvimento da história fazem com que você não só jogue, mas se sinta como Okarin e isso é de suma importância para que os acontecimentos que se desenrolam tenham impacto real sobre o jogador.

História

Steins;Gate Re:Boot – Análise – Review – Vale a pena

Qualquer pessoa que tenha jogado – ou assistido – Steins;Gate vai sempre rasgar elogios à história. Aqui eu vou chover no molhado.

Mesmo abordando um tema complexo, S;G consegue ser compreensível sem ser pedante. Toda a teoria de viagem no tempo é explicada em detalhes sem ser maçante, com discussões interessantíssimas entre os personagens e exemplos que facilitam a compreensão até mesmo por quem não é tão identificado com o assunto.

O jogo ainda conta com um dicionário com uma descrição superficial da maior parte dos termos específicos usados durante os diálogos – como Teoria do caos; Paradoxo temporal; Teoria da relatividade; Buracos negros de Kerr; Buracos de minhoca; Linhas temporais; Efeito borboleta; etc – e também termos usados em fóruns da internet da época de 2010, que se estendem até hoje.

Esse tema complexo e discussões científicas é envolto em diálogos repletos de humor, drama, referências da vida real e de elementos do mundo geek que trazem o jogador para mais perto dos personagens e o fazem se envolver cada vez mais na história e nos relacionamentos construídos.

Esses relacionamentos entre os personagens, construído ao longo de todo o jogo, se prova muito importante quando a história começa a ficar mais séria e o jogador tem que tomar decisões diretas que impactam diretamente aquele personagem tão querido.

A história é muito bem amarrada do começo ao fim, não deixando ponto sem nó e ligando acontecimentos de diversos pontos da trama que explodem a mente do jogador em diversos momentos. A forma como o jogo não só conta, mas constrói essa história com o jogador. é o que a obra tem de mais especial.

Visual e trilha sonora

Eu já considerava o Steins;Gate original uma obra de arte e não achava que ele precisava de alguma revisão visual, até ver a arte do reboot. É como comparar uma geladeira ou TV atual com uma de 2010.

A arte do jogo é muito rica. As expressões dos personagens são bem detalhadas e destacam bem a personalidade de cada um. Os cenários também estão mais detalhados e com maior variedade. As CGs são obras de arte a parte e dão vontade de só ficar admirando. Visualmente, o jogo está mais próximo de Steins;Gate 0, a midquel lançada em 2015, mas ainda alinhado ao original.

Normalmente visual novels utilizam imagens estáticas durante os diálogos dos personagens, mas S;G trouxe uma novidade para a série que são os emotes. Todos os personagens mexem a boca, piscam e se movem levemente durante os diálogos e nas transições de expressão, aumentando muito mais a imersão e borrando a linha entre a imagem estática e a animação.

A trilha sonora do jogo é perfeita, irretocável, inesquecível, trazendo o impacto necessário para cada cena, seja de humor, de tristeza ou de suspense, e toca o jogador – que já está completamente envolto na história – de maneira única.

E o que o jogo tem de negativo?

Steins;Gate tem poucos defeitos de verdade e o Re:Boot vem tentando resolver alguns deles.

A principal crítica para o jogo original e também para o anime é o desenvolvimento maçante da história no início. As horas iniciais de jogatina são quase que exclusivamente para apresentar e desenvolver todos os personagens ao jogador enquanto progride pouco na história. É um desenvolvimento realmente necessário, mas muito chato de acompanhar.

O Re:Boot diminui certos diálogos não essenciais no início tentando deixar o desenvolvimento da história mais dinâmico para que o jogador não desista nas horas iniciais. Ele conclui o objetivo em partes, mas não resolve um problema que, na minha opinião, é inerente à história da obra e na forma com que os criadores querem construí-la.

A história também tem certos furos que no jogo original – e no anime – ficaram sem resposta. O reboot resolve alguns deles, mas de maneira muito superficial, ainda deixando outros em aberto. É algo que poderia ter recebido mais atenção, visto que outros pontos de menor importância são explicados, exemplificados e relembrados mais vezes ao longo da trama.

Um último ponto, que não incomoda muito mas causa certa estranheza, é na animação. Como a adição dos emotes trouxe muito mais expressividade para os personagens, senti que faltou que as poses dos mesmos acompanhassem as expressões. Alguns personagens têm literalmente uma pose, nada natural e que não combina com o que está acontecendo na cena ou com a expressão do rosto. Fazer a linguagem corporal acompanhar as expressões, mesmo que de maneira limitada, seria a cereja do bolo dessa obra fantástica.

Steins;Gate Re:Boot vale a pena?

Se você nunca jogou nada da franquia e quer experimentar pela primeira vez, sim, vale muito a pena. Comece direto pelo Re:Boot e pode pular o jogo original. A história é a mesma, nenhum detalhe do original é perdido e o reboot tem até um final alternativo extra muito legal.

Steins;Gate é uma obra única e inesquecível. Ela consegue entrelaçar o desenvolvimento de personagens e seus relacionamentos com história, jogabilidade e trilha sonora de forma como nenhuma outra que já vivenciei consegue.

O game traz o jogador para dentro do jogo, o faz se sentir na pele dos personagens, sentir o peso das decisões, o impacto das consequências e se emocionar com os acontecimentos bons e ruins. É uma experiência que eu gostaria que toda pessoa vivesse alguma vez e certamente um jogo para jogar antes de morrer.

Análise feita com uma chave para PC cedida pela publisher.

Resumo para Preguiçosos

Steins;Gate Re:Boot renova a aclamada visual novel de ficção científica sobre viagens no tempo, servindo como uma excelente porta de entrada ao recontar com maestria a história de Okabe Rintaro e seu grupo em Akihabara. O jogo se destaca por integrar com precisão as mecânicas de interação via celular (Phone Trigger) a uma narrativa envolvente e emocionante, que agora conta com artes aprimoradas, trilha sonora impecável e animações faciais inéditas. Embora ainda enfrente um início de desenvolvimento arrastado e mantenha alguns furos de roteiro sem respostas profundas, a obra entrega uma experiência inesquecível e indispensável para os apreciadores do gênero.

Prós

  • Porta de entrada ideal
  • Mecânicas integradas
  • Evolução visual e sonora
  • História e personagens marcantes:

Contras

  • Início arrastado
  • Furos de roteiro rasos
  • Poses estáticas
Rafael Oliveira
Rafael Oliveirahttp://criticalhits.com.br
Rafael Oliveira faz análise de jogos, filmes e séries regularmente para o Critical Hits, além de postar notícias e artigos esporadicamente. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito, é fanboy de Steins;Gate e tem um lugar especial no coração para Platformers, RPGs e Metroidvanias.