Star Wars: Fate of the Old Republic foi um dos momentos mais inesperados dos últimos Game Awards. O trailer revelado em dezembro no Peacock Theater, em Los Angeles, deixou 5.000 pessoas em pé aplaudindo, mas poucas sabiam que por trás do projeto estava Simon Zhu, ex-presidente de investimentos globais da NetEase, emocionado na plateia ao lado da família, fingindo ser apenas mais um turista.
Agora Zhu tornou público o que não podia revelar na época: ele fundou a GreaterThan Group (GTG), uma holding voltada a investir e operar estúdios de jogos ao redor do mundo. A empresa, que operou em sigilo desde o fim do ano passado, já tem US$ 40 milhões disponíveis e compromissos de aporte para mais US$ 60 milhões, totalizando cerca de US$ 100 milhões em capacidade de investimento. Os nomes dos investidores não foram divulgados, mas Zhu os descreve como “empreendedores bem-sucedidos de games e tecnologia.”
O retorno de quem ajudou a financiar Mass Effect e Marvel Snap

A trajetória de Zhu na NetEase durou 13 anos. Nesse período, ele viabilizou investimentos em projetos como Marvel Snap, do Second Dinner, levou Minecraft à China e apoiou títulos como Journey e Sky, que chegaram a superar US$ 100 milhões de receita anual no mercado chinês. Em 2024, quando a NetEase decidiu cortar o financiamento de novos projetos, Zhu se viu assistindo ao desmanche de estúdios que ele mesmo havia convencido a confiar na empresa. Segundo ele, viajou pessoalmente para jantar com os fundadores e agradecer pela confiança.
O principal projeto da GTG agora é justamente Star Wars: Fate of the Old Republic, desenvolvido pelo Arcanaut Studios, novo estúdio canadense comandado por Casey Hudson. Hudson é o diretor responsável pela trilogia Mass Effect e pelo clássico de 2003 Star Wars: Knights of the Old Republic. Seu estúdio anterior, Humanoid Origin, também perdeu financiamento da NetEase em 2024. Para o novo projeto, Hudson reuniu ex-executivos da BioWare, incluindo o diretor de tecnologia Ryan Hoyle, a diretora de narrativa Caroline Livingstone e o designer técnico Dan Fessenden.
Hudson foi direto sobre o que espera entregar: um jogo que não exija centenas de horas para ser completado. “Maior não é necessariamente melhor”, disse ele. A proposta é que o título tenha múltiplas rotas de replay para quem quiser explorar mais, sem obrigar o jogador a uma jornada interminável. Ele não tem data de lançamento confirmada, mas garantiu em publicação no X que o jogo chegará antes de 2030.
Outra aposta da GTG é um novo shooter do BulletFarm, estúdio de David Vonderhaar, criador de alguns dos jogos mais queridos da franquia Call of Duty, incluindo a série Black Ops e Warzone. O projeto ainda não tem nome nem data, mas Vonderhaar descreveu a proposta como “se David Lynch fizesse shooters”, com menos de 50 pessoas na equipe de desenvolvimento.
Fonte: Bloomberg


