Splatoon Raiders é o primeiro título da franquia a deixar completamente de lado o tradicional confronto entre jogadores para apostar em uma experiência focada no PvE. Aqui, em vez de disputar território contra outros jogadores, enfrentamos hordas de Salmonids, exploramos ilhas misteriosas e acumulamos armas, recursos e equipamentos em uma estrutura de um looter-shooter.
Além de ser exclusivo do Nintendo Switch 2, Splatoon Raiders também marcou o meu primeiro contato com a franquia. Por isso, comecei a aventura sem o conhecimento e a familiaridade que os fãs de longa data já possuem com os personagens, as armas e o universo da série. A minha maior dúvida era simples: será que alguém completamente novato conseguiria aproveitar bem essa nova proposta?

A história começa com a Mecânica, personagem que controlamos durante toda a aventura, viajando ao lado de Shiver, Frye e Big Man, o trio conhecido como Deep Cut. O grupo segue de helicóptero em direção às misteriosas Ilhas Spirhalite, uma região cercada por uma densa neblina e marcada por um brilho intenso que chama a atenção de longe.
No entanto, antes de chegar ao destino, algo dá errado. O helicóptero perde o controle e acaba sofrendo um acidente, deixando o grupo preso nas ilhas. Um mês depois, a equipe já conseguiu montar uma base de operações e está pronta para começar a explorar a região em busca de recursos, tesouros e, principalmente, relíquias capazes de ajudar a pagar as dívidas acumuladas em Splatsville.
A primeira missão funciona como uma introdução às principais mecânicas do jogo. É nela que aprendemos a atirar, administrar nossa tinta e mergulhar nela para recuperar munição, recuperar vida e nos movimentar com muito mais velocidade. Mesmo sendo a primeira vez que joguei um título da franquia, não tive grandes dificuldades para entender os comandos, porque o sistema é bastante intuitivo.
A movimentação por meio da tinta é, sem dúvida, uma das mecânicas que mais ajudam a dar identidade ao jogo. Você pode pintar o chão, mergulhar e atravessar rapidamente o cenário, saindo da tinta para atacar os inimigos ou reposicionar-se quando a situação começa a ficar perigosa. Essa transição entre atirar, pintar o cenário, mergulhar e voltar ao combate acontece de maneira muito fluida, e logo se torna algo natural durante as missões.
Também conhecemos o Exploration Bot, o pequeno robô que nos acompanha durante a aventura. Além de ajudar em combate, ele pode ser usado como uma espécie de catapulta, permitindo que a Mecânica alcance locais elevados, atravesse obstáculos e encontre novas rotas. É uma ferramenta simples, mas que adiciona mobilidade e ajuda bastante na exploração das fases.
Ao retornar para a base depois de recuperar uma relíquia valiosa, o grupo percebe que as Ilhas Spirhalite podem esconder muitas outras riquezas. A partir daí, a aventura realmente começa: passamos a viajar de ilha em ilha, enfrentando Salmonids, coletando Spirhalite Shards, encontrando novas armas e fortalecendo nosso personagem para enfrentar desafios cada vez maiores.
A história não é o grande destaque do jogo e serve principalmente como uma justificativa para a exploração e a busca por tesouros. Ainda assim, ela cumpre bem seu papel e ajuda a apresentar melhor Shiver, Frye e Big Man. Para mim, que nunca havia jogado Splatoon antes, foi uma forma interessante de conhecer esses personagens sem precisar ter experiência com os títulos anteriores.

O loop de gameplay de Splatoon Raiders é simples de entender, mas extremamente eficiente. Você escolhe uma missão, enfrenta vários Salmonids, coleta recursos, encontra armas e equipamentos, retorna à base para melhorar sua build e, pouco tempo depois, já está pronto para começar outra fase.
As missões são divididas em alguns formatos diferentes. O primeiro e mais tradicional apresenta fases lineares, nas quais precisamos avançar pelo cenário, derrotar os inimigos encontrados no caminho e coletar nós de Spirhalite Shards. Ao chegar ao grande nó localizado no final da missão, usamos o Exploration Bot para extrair a relíquia e concluir o objetivo.
Durante essas fases, também podemos encontrar alguns segredos. Caixotes coloridos escondem pergaminhos que ajudam a expandir o universo do jogo e funcionam como itens colecionáveis. Outros podem fornecer bússolas que indicam a localização de missões adicionais no mapa.
Essas missões extras funcionam como pequenos desafios focados no uso criativo dos Gadgets. Em vez de apenas eliminar hordas de inimigos, precisamos utilizar uma habilidade específica para atravessar obstáculos, alcançar determinadas áreas ou resolver situações apresentadas pela fase. Além de variarem um pouco o ritmo da aventura, essas missões recompensam o jogador com pontos de habilidade adicionais, tornando a exploração bastante vantajosa.
Outro tipo de missão acontece em áreas mais abertas, sem um caminho completamente definido. Nelas, precisamos derrotar Salmonids próximos aos nós de Spirhalite para conseguir Power Eggs. Depois de coletar a quantidade necessária, podemos utilizar o Exploration Bot para extrair o grande nó principal e finalizar a missão.
Também existem fases focadas em sobrevivência, nas quais enfrentamos várias ondas de inimigos e precisamos coletar uma quantidade específica de Power Eggs dentro de um limite de tempo. São justamente essas missões que costumam gerar alguns dos momentos mais caóticos do jogo, principalmente quando a quantidade de inimigos aumenta e precisamos administrar vários perigos ao mesmo tempo.
Por fim, temos as missões dedicadas aos chefes principais. Elas funcionam como grandes confrontos que encerram os capítulos e, pessoalmente, foram algumas das minhas partes favoritas da aventura. Os chefes apresentam ataques próprios, exigem mais atenção e transformam o combate em algo mais grandioso.
Conforme avançamos pelos capítulos, novos níveis de dificuldade são liberados para as fases anteriores. Depois de terminar a campanha, uma dificuldade ainda maior é desbloqueada, oferecendo novos motivos para revisitar as fases. E, na minha opinião, é justamente nesse ponto que o jogo fica ainda mais divertido. Quanto maior o nível da missão, mais inimigos aparecem e mais informações precisam ser processadas ao mesmo tempo. Em alguns momentos, a tela fica tomada por Salmonids, ataques, tinta e efeitos visuais, e precisamos decidir rapidamente quais ameaças eliminar primeiro.
É um caos que funciona muito bem. Existe uma satisfação enorme em atravessar o cenário mergulhado na tinta, surgir no meio de uma multidão de inimigos e eliminar vários deles enquanto tentamos manter o controle da situação.
Outro ponto positivo é a duração das fases. A maioria delas pode ser concluída em poucos minutos, o que deixa o ritmo muito mais ágil. Você raramente fica preso por muito tempo em uma única missão, e isso ajuda a evitar que a experiência se torne cansativa ou repetitiva. Ao terminar uma fase, é muito fácil pensar que ainda há tempo para jogar “só mais uma”.
Apesar disso, a variedade de objetivos poderia ser maior. Depois de muitas horas, algumas estruturas de missão começam a se repetir, principalmente porque grande parte delas gira em torno de eliminar inimigos, coletar Power Eggs ou extrair Spirhalite. O combate continua divertido, mas mais objetivos diferentes ajudariam a manter a experiência renovada durante toda a campanha.

Além do combate, outro aspecto em que Splatoon Raiders se destaca é a quantidade de possibilidades para criar diferentes builds.
A Mecânica possui três tipos de Tanque de Tinta: Velocidade, Poder e Tático. Cada um funciona quase como uma classe e oferece acesso a Gadgets próprios, incentivando estilos de jogo diferentes.
O Tanque de Velocidade é voltado para mobilidade e ataques rápidos, sendo ideal para quem prefere atravessar o cenário rapidamente, escapar de perigos e atacar inimigos à distância. O Tanque de Poder prioriza força e agressividade, oferecendo habilidades mais focadas em causar grandes quantidades de dano. Já o Tanque Tático permite utilizar ferramentas de suporte e controle de área, como torretas automáticas, armadilhas e outras habilidades capazes de ajudar a controlar grandes grupos de inimigos.
Cada tanque possui Gadgets exclusivos, e todos eles podem ser aprimorados e personalizados. Alguns servem para atacar diretamente, enquanto outros ajudam na defesa, na mobilidade ou no controle do campo de batalha.
Existem Gadgets como o Shot Pot, uma torreta automática que continua atacando os inimigos enquanto você se movimenta, e os Splatellites, que criam projéteis ao redor do personagem, causando dano e ajudando a manter os inimigos afastados. Também há habilidades voltadas para movimentação, ataques de curta distância e explosões capazes de atingir vários adversários.
Conforme utilizamos os tanques e evoluímos o personagem, novos espaços e possibilidades são liberados. Isso permite equipar mais Gadgets e criar combinações cada vez mais eficientes.
Também podemos instalar peças de aprimoramento nos Gadgets. Essas peças alteram suas características e podem aumentar dano, alcance, área de efeito, duração ou reduzir o tempo de recarga. Algumas melhorias ainda adicionam efeitos especiais, permitindo que uma habilidade cause dano contínuo, atinja inimigos em posições diferentes ou se comporte de uma maneira completamente nova.
É justamente por causa dessas opções que recomendo experimentar todos os Tanques e Gadgets. Cada um muda a forma como enfrentamos as missões, e é possível encontrar combinações muito diferentes dependendo do estilo de jogo. Eu tinha minhas preferências, mas me diverti bastante testando habilidades que inicialmente não pareciam combinar comigo.
Além dos Gadgets, também podemos equipar Relíquias. Elas oferecem bônus passivos que ajudam a fortalecer o personagem, como aumentar a velocidade de recuperação de vida, melhorar o dano causado por armas, aumentar a eficiência de determinadas habilidades ou oferecer vantagens específicas durante o combate.
Combinando Tanques, Gadgets, peças de aprimoramento, Relíquias e armas, o jogo oferece uma quantidade enorme de possibilidades. Mesmo depois de várias horas, ainda é possível encontrar novas combinações e ajustar a build para enfrentar missões mais difíceis.

Outro grande destaque é a variedade de armas. Existem armas automáticas, capazes de disparar rapidamente e manter pressão sobre os inimigos; armas que precisam ser carregadas antes de liberar uma sequência de tiros; opções de longo alcance que exigem precisão e causam mais dano quando o disparo é carregado; e até opções como a Splatana, voltadas para ataques mais próximos.
Cada categoria possui características próprias. Algumas são melhores para lidar com grandes grupos, enquanto outras funcionam melhor contra inimigos resistentes ou ameaças localizadas à distância.
As armas também possuem níveis e raridades. Elas podem variar de uma até cinco estrelas, sendo as armas de cinco estrelas as mais raras e poderosas. Além disso, diferentes versões de uma mesma categoria podem apresentar mudanças na cadência, no alcance, no comportamento dos disparos ou na forma como a arma funciona.

A base funciona como o principal hub do jogo. É nela que podemos nos preparar antes de iniciar uma nova missão e administrar praticamente todos os sistemas de progressão.
Existe uma área para testar armas e Gadgets, permitindo experimentar uma build antes de levá-la para uma missão. Também temos espaços para criar e aprimorar Gadgets, melhorar armas e desmontar equipamentos que não serão mais utilizados.
A base também pode receber melhorias, e é nela que utilizamos os pontos de habilidade da Mecânica.
A árvore de atributos não é muito diversificada e oferece quatro melhorias principais: aumento da vida máxima, aumento do dano das armas, aumento do dano dos Gadgets e aumento da quantidade de espaços disponíveis para instalar peças de aprimoramento nos Gadgets.
A maior parte das melhorias exige Spirhalite Shards e outros materiais encontrados durante as missões. Quanto mais rara ou poderosa for uma arma, um Gadget ou um aprimoramento, maiores serão os custos e mais difíceis serão os materiais necessários.
Como esperado de um looter-shooter, isso incentiva a repetição de missões. Porém, como o loop de gameplay é muito agradável, o processo raramente parece uma obrigação. Muitas vezes, antes mesmo de decidir que precisava de determinado material, eu já possuía boa parte dele por ter explorado várias fases anteriormente.

Embora Splatoon Raiders seja uma experiência que pode ser aproveitada completamente sozinho, o jogo também permite jogar cooperativamente.
É possível formar grupos com amigos e enfrentar as missões em conjunto. A dificuldade aumenta de acordo com a quantidade de jogadores, evitando que o cooperativo transforme automaticamente as fases em algo fácil demais.
Também existe a opção de pedir ajuda. Quando você encontra dificuldades, pode enviar um pedido para que outro jogador entre na sua sessão e ajude durante uma missão.
Esse recurso possui algumas limitações. Caso você peça ajuda e não consiga concluir a missão, é possível solicitar novamente a ajuda. Entretanto, se a missão for concluída com sucesso, será necessário esperar um período antes de usar a função novamente.
Por outro lado, você pode ajudar outros jogadores quantas vezes quiser. Em vários momentos, eu interrompia meu próprio progresso para entrar nas sessões de outras pessoas e ajudá-las a concluir missões difíceis.

Um dos principais pontos negativos para mim é a ausência do português do Brasil. Splatoon Raiders é um jogo que pode ser aproveitado mesmo por quem não domina o inglês, já que grande parte da experiência está no combate, na exploração e na progressão. Ainda assim, uma localização em português permitiria que mais jogadores compreendessem a história, os diálogos, as descrições dos equipamentos e os detalhes do universo do jogo.
A narrativa é simples, mas isso não significa que ela deveria ser ignorada. Uma tradução ajudaria os jogadores brasileiros a aproveitar melhor todos os aspectos da aventura.
Outro ponto que poderia ser melhorado é a repetição de algumas estruturas de missão. Embora existam diferentes formatos, a maior parte das fases continua girando em torno de derrotar inimigos, coletar recursos e extrair Spirhalite. O combate é divertido o bastante para sustentar esse ciclo durante muitas horas, mas mais variedade de objetivos e cenários ajudaria a evitar a sensação de repetição no final da campanha.
Os ambientes também poderiam apresentar diferenças maiores entre si. As mudanças de cores e de ambientação ajudam a criar identidade visual, mas algumas regiões poderiam ter mecânicas próprias ou características mais marcantes.
Mas afinal, Splatoon Raiders vale a pena?
Para mim, Splatoon Raiders foi uma surpresa muito agradável. Como alguém que nunca havia jogado nenhum título da franquia, comecei a aventura sem saber exatamente o que esperar. Não conhecia bem os personagens, não tinha experiência com as armas e nunca havia participado dos modos tradicionais de Splatoon. Mesmo assim, o jogo conseguiu me conquistar rapidamente.
O combate é divertido, a movimentação é fluida e a quantidade de armas, Gadgets, Tanques e Relíquias faz com que sempre exista algo novo para testar.
Em vários momentos, eu pensava que jogaria apenas mais uma missão antes de desligar o videogame. Quando percebia, já havia concluído várias outras. As fases curtas ajudam muito nesse aspecto. Como a maioria pode ser concluída em poucos minutos, é fácil encaixar uma missão rápida no dia. O problema é que dificilmente você para em apenas uma.
Splatoon Raiders também despertou em mim uma vontade enorme de conhecer os jogos principais da franquia. Depois de passar tantas horas utilizando as armas, explorando o universo e enfrentando Salmonids, fiquei muito curioso para experimentar a proposta competitiva tradicional de Splatoon.
Resumo para Preguiçosos
Splatoon Raiders transforma a fórmula da franquia em uma experiência PvE focada em combate, exploração, coleta de equipamentos e criação de builds. Com missões rápidas, uma grande variedade de armas, Gadgets e possibilidades de personalização, o jogo apresenta um loop de gameplay divertido e viciante.
Apesar da repetição de alguns objetivos e da ausência do português do Brasil, foi uma surpresa muito agradável para mim. Mesmo sendo meu primeiro contato com a franquia, o jogo conseguiu despertar meu interesse pelos títulos principais e me deixou animado para jogar o próximo Splatoon multiplayer.
Prós
- Loop de gameplay viciante
- Variedade de armas e builds
- Boa porta de entrada para quem nunca jogou a franquia
Contras
- Ausência de localização em português do Brasil
- Pouca variedade entre alguns cenários e biomas

