A Sony deixou claro em seu relatório financeiro mais recente que Marathon e a Bungie como um todo ficaram abaixo das expectativas, mas a empresa não pretende abandonar o jogo tão cedo. Durante a teleconferência de resultados, a diretora financeira Lin Tao afirmou que “o portfólio de títulos da Bungie não atingiu nossas expectativas”, justificando a revisão do plano de negócios e o impairment de quase US$ 800 milhões em ativos fixos relacionados ao estúdio.

Ainda assim, Tao reconheceu os pontos positivos do lançamento: Marathon recebeu nota 82 no Metacritic, mais de 90% de avaliações positivas no Steam e métricas de engajamento e retenção que a Sony descreve como elevadas. A empresa afirmou que pretende “melhorar o desempenho do jogo trabalhando para reter os usuários mais engajados por meio de conteúdo adicional, melhorias na experiência de jogo e expansão da base de usuários.”
Saros e Marvel‘s Wolverine como motores de receita
Marathon não é, no entanto, o título em que a Sony está depositando suas fichas para aumentar a contribuição de receita dos jogos first-party em 2026. Esse papel cabe a Saros, da Housemarque, lançado em abril, e a Marvel’s Wolverine, da Insomniac Games, previsto para setembro. Tao concluiu afirmando que a empresa espera que “a contribuição para os resultados dos títulos first-party supere a de 2025.”
O posicionamento da Sony é pragmático. Marathon tem uma comunidade fiel, mas pequena, e os custos de desenvolvimento da Bungie já foram reconhecidos como excessivos desde a aquisição por US$ 3,6 bilhões em 2022. Manter o jogo vivo com atualizações de conteúdo enquanto direciona as apostas maiores para Saros e Wolverine é uma estratégia que preserva o que foi construído sem comprometer o desempenho financeiro do segmento.
Os últimos anos do mercado de games mostraram que nenhum projeto está garantido, independentemente do investimento já realizado. A Sony demonstrou disposição para cortar perdas quando necessário. Por ora, Marathon ganha mais tempo, mas o relógio está correndo.


