Shigeru Miyamoto, criador de Mario, Donkey Kong e The Legend of Zelda, não descarta voltar a desenvolver um videojogo e quer preparar algo capaz de surpreender até os funcionários da Nintendo. Apesar de atualmente dedicar grande parte de seu tempo ao cinema, o lendário designer afirmou que ainda pretende experimentar novas ideias dentro da empresa.

A declaração foi feita durante uma conferência de imprensa realizada antes da cerimônia em que Miyamoto recebeu a Ordem da Cultura do Japão. Ele se tornou o primeiro nome diretamente ligado à indústria dos videojogos a receber uma das mais importantes honrarias culturais do país.
Questionado sobre seus próximos projetos, Miyamoto explicou que está envolvido em várias iniciativas, mas que seu foco atual está no cinema. O criador deseja descobrir até onde consegue avançar nessa área trabalhando ao lado de profissionais e também desenvolvendo projetos por conta própria.
“Não sei o que o futuro reserva. Neste momento estou absorvido pela realização de filmes, a trabalhar com profissionais, mas também quero ver até onde consigo ir sozinho. E, nesse processo, posso tentar fazer algo como um jogo outra vez”, afirmou Miyamoto.
O veterano também comentou que a evolução das ferramentas digitais tornou a produção mais complexa, embora tenha acelerado determinadas etapas do trabalho. Para ele, enquanto continuar motivado, será possível explorar diferentes formatos e ideias.
“Estou a pensar em fazer algo que normalmente não fazemos na Nintendo e surpreender os funcionários”, acrescentou.
A possibilidade não representa um anúncio de jogo ou o início confirmado de um novo desenvolvimento. Ainda assim, a fala mostra que Miyamoto continua interessado em experimentar, mesmo depois de décadas associado às principais franquias da Nintendo. A ideia de criar algo fora dos padrões habituais da empresa também combina com a trajetória do designer, marcada por projetos que ajudaram a definir o videojogo moderno.
Em 2019, quando tinha 66 anos, Miyamoto foi reconhecido como Pessoa de Mérito Cultural, distinção inferior à Ordem da Cultura. Na ocasião, ele afirmou à imprensa japonesa que continuaria trabalhando para criar coisas novas e evitar que as pessoas começassem a questionar se já era hora de sua aposentadoria. A nova declaração reforça que, por enquanto, a disposição para inovar permanece intacta.

