O novo exclusivo da Housemarque para PS5, Saros, vendeu mais de 300 mil cópias nas primeiras duas semanas desde o lançamento, gerando aproximadamente US$ 22 milhões em receita — segundo estimativas da firma de análise de mercado Alinea Analytics. Os números revelam um desempenho sólido entre o público hardcore do PlayStation, mas levantam questões sobre a viabilidade financeira do projeto frente a um orçamento de desenvolvimento reportado em US$ 76 milhões.
Vale lembrar que a Alinea Analytics é uma empresa de estimativas — e como toda estimativa, os números podem divergir consideravelmente da realidade. A firma tem um histórico misto: em alguns casos acerta com precisão razoável, mas já errou de forma bastante expressiva. O caso mais emblemático foi o de Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, quando a Alinea estimou meio milhão de cópias vendidas — e no dia seguinte a própria Konami anunciou oficialmente que o jogo havia vendido 1 milhão de cópias, o dobro da estimativa. Os dados apresentados aqui devem ser lidos com essa ressalva em mente.
O Perfil de Quem Está Comprando Saros
Quase um terço das cópias foi vendido durante o período de acesso antecipado — um sinal claro de que são os superfãs da Housemarque e do PlayStation que estão sustentando o título na largada. A sobreposição de audiência com outros exclusivos recentes confirma esse perfil:
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56% dos jogadores de Saros também jogaram Ghost of Yōtei (outubro de 2025)
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37% jogaram Death Stranding 2 (junho de 2025)
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11% jogaram God of War: Ghost of Sparta (shadow drop em fevereiro de 2026)
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8% jogaram Marathon (março de 2026)
O quadro é nítido: Saros está sendo comprado, em grande parte, pelos mesmos jogadores que consistentemente aparecem no lançamento dos principais exclusivos PlayStation.
A Comparação com Returnal
O dado mais revelador da análise é a comparação com Returnal, o título anterior da Housemarque lançado em abril de 2021. Alinhando as janelas de lançamento, Saros está vendendo um pouco mais devagar do que Returnal — apesar de estar sendo lançado em uma base instalada de 93 milhões de PS5s, contra apenas 8 milhões na época de Returnal.
A explicação, porém, é mais nuançada do que parece. Quando Returnal chegou, era praticamente o único jogo first-party relevante no PS5 em meses — e os early adopters do console, por definição um público que compra muito, estavam com fome de conteúdo. Saros, por outro lado, está chegando depois de uma sequência densa de lançamentos expressivos: Crimson Desert, Resident Evil Requiem, Hades 2 no PS5, Pragmata e vários outros títulos de destaque de 2026. A fatia do público ativamente procurando um novo exclusivo de nicho é estruturalmente menor — mesmo com uma base instalada 11 vezes maior.




