A Nintendo sofreu mais um revés em sua tentativa de patentear mecânicas de captura de monstros no Japão. Segundo a publicação original da Dexerto, um examinador do Japão Patent Office rejeitou o pedido após citar um fan game não oficial de Pokémon de 2013 como prova de que a ideia já aparecia publicamente antes do registro da empresa.
A patente em questão descrevia um sistema para telas sensíveis ao toque em que o jogador se move por um mundo 3D, arremessa itens de captura contra criaturas, invoca monstros para a batalha e escolhe comandos durante o combate. Mesmo assim, o órgão concluiu que a proposta não apresentava “passo inventivo”, já que havia exemplos parecidos em jogos e vídeos lançados anos antes da data de prioridade da Nintendo, estabelecida em dezembro de 2021.
Entre os materiais usados como referência, um dos mais importantes foi um vídeo do YouTube publicado em junho de 2013 com o título “Pokemon Generations – 3D Indie Pokemon Gameplay”. O projeto Pokemon Generations era um RPG de ação em 3D criado por fãs, e as imagens mostravam movimentação em tempo real e mecânicas de captura muito semelhantes às que a Nintendo tentou proteger, mais de oito anos antes do pedido.
De acordo com a apuração da Game Rant, a Nintendo argumentou que esse vídeo não deveria ser considerado arte prévia porque o projeto de fãs violaria direitos autorais da franquia. O examinador, porém, rejeitou essa defesa e entendeu que uma eventual infração de copyright não altera o fato de o material público já demonstrar aquelas mecânicas.
Além desse fan game, também teriam sido citados ARK Mobile, PUBG Mobile, Pokémon X e Y, outros vídeos de gameplay e patentes japonesas mais antigas. A conclusão foi que um desenvolvedor poderia combinar controles por toque já conhecidos com sistemas de captura de monstros já estabelecidos sem criar algo suficientemente inovador.
O pedido, identificado como 2026-019762, já havia sido negado uma vez em abril. Depois disso, a Nintendo alterou as reivindicações e manteve a tentativa de avançar com o registro. Embora faça parte da mesma família de patentes que a Nintendo e a The Pokémon Company tentam usar contra a Pocketpair, desenvolvedora de Palworld, este processo específico não integra a ação judicial em andamento.
A rejeição encerra a análise comum do pedido, mas a Nintendo ainda tem três meses para recorrer a uma banca do Japan Patent Office. A empresa também pode seguir tentando proteger a ideia por meio de uma nova solicitação com reivindicações mais restritas. No fim, o caso reforça como a disputa por patentes em mecânicas de gameplay segue sendo um terreno difícil para a Nintendo quando há registros públicos antigos que enfraquecem a tese de originalidade.

