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Paper Mario: The Origami King – Review

Paper Mario é uma das franquias de RPG mais diferentes e populares da Nintendo, mas os jogos mais recentes não estavam correspondendo à expectativa dos fãs por diversos motivos. Por causa disso, o mais novo título da franquia  – Paper Mario: The Origami King – trouxe de volta algumas das mecânicas mais pedidas pelos fãs juntamente com uma miríade de inovações e novidades.

Lançado em Julho de 2020 exclusivamente para o Nintendo Switch, Paper Mario: The Origami King introduz uma novidade bem óbvia a este mundo de papel, mas que ainda não havia sido explorada: Origamis.

Logo no início do game, descobrimos que o vilão do jogo, o Rei Origami, está usando seus poderes para dobrar as criaturas do Reino do Cogumelo em origamis, forçando-as a servi-lo. A maior parte das criaturas do reino foram transformadas em origami, incluindo Peach, Bowser e seu exército.

Agora, cabe a Paper Mario e Olivia – a Princesa Origami e irmã do grande vilão do jogo – encontrar uma forma de entrar no castelo de Peach e derrotar o Rei Origami antes que seja tarde demais. Para fazer isto, a dupla precisa viajar para todos os cantos do Reino do Cogumelo e soltar as seis serpentinas que protegem o castelo.

Paper Mario: The Origami King pega o tema principal da franquia – o papel – e o utiliza das formas mais criativas possíveis. Os inimigos normais são os velhos inimigos que conhecemos, mas foram transformados em Origami permanentemente: Goombas, Koopa Troopas, Shy Guys e etc não obedecem mais a Bowser, e tentarão fazer de tudo para impedir você de alcançar seu objetivo.

Além disso, também existem inimigos gigantes feitos de papel machê. Estes inimigos só podem ser enfrentados no overworld, e trazem um desafio adicional para quebrar a monotonia do combate em turno (mais sobre isso nos próximos parágrafos).

Por último, os chefes principais também seguem o tema de papel, mas de uma forma totalmente inusitada. O primeiro destes chefes, por exemplo, é uma caixa de lápis de cor, modelada inteiramente em 3D. Não só o caminho até este chefe é recheado com desenhos e pinturas incríveis feitas com estes lápis de cor, como o chefe também os usa como mísseis super poderosos para impedir o avanço de Mario.

Estes diferentes usos do tema Papel em The Origami King tornam o jogo super interessante, já que nunca sabemos o que podemos encontrar a seguir. A criatividade dos desenvolvedores parece não ter fim neste jogo, e isto também vale para o combate.

Assim como seus antecessores, Paper Mario: The Origami King também é um RPG por turnos. Porém, o game decidiu seguir um caminho diferente, introduzindo um grid de batalha enorme, que transforma o combate em uma espécie de puzzle, ao invés de um RPG tradicional.

Sempre que um combate se inicia, todos os inimigos se espalham pelo grid, e o seu trabalho é posicioná-los da forma correta antes que o tempo acabe. Fazer isso dá a você um grande aumento de dano, o que em volta lhe dá a chance de acabar com todos os inimigos do combate em um único turno, sem sequer ser atacado de volta.

Cada combate possui uma forma correta de se se resolver, e se o jogador for habilidoso o suficiente, é possível finalizar a grande maioria dos combates do jogo em um único turno, e sem levar dano. E apesar da sensação de resolver vários puzzles em sequência de forma rápida ser de fato muito boa, a dificuldade do jogo é drasticamente reduzida no processo.

E isto não acontece apenas nos combates que você finaliza em um turno só. Mesmo se você não acertar a for atacado pelos inimigos, o dano que você leva deles é muito baixo, e pode ser reduzido ainda mais com o uso de certos itens e ao pressionar o botão A no momento certo. Por boa parte do início do jogo, defender os ataques dos inimigos com o botão A anula completamente o dano que eles causariam, ou faz você tomar um único ponto de dano.

Como se isso não fosse o bastante, também é possível utilizar as moedas que coletamos pelo mundo e no fim dos combates para comprar segundos extras para resolver os puzzles. Alternativamente, as moedas podem ser usadas para pedir ajuda aos Toads que resgatamos durante o jogo. Quanto mais dinheiro você gastar, mais eles facilitarão o combate, causando dano aos inimigos, os rotacionando para ajudar a solucionar o puzzle e até mesmo curando Mario.

Somando todas estas coisas, temos um sistema de combate super interessante, mas que ao mesmo tempo acaba sendo fácil demais. Entretanto, esta facilidade é justificada pelo fato do jogo ser focado para todas as idades. Crianças provavelmente terão muito mais dificuldade com Paper Mario: The Origami King do que eu tive, e as várias ajudas que o jogo oferece com certeza serão muito úteis para elas. Ainda assim, colocar mais de um nível de dificuldade com certeza resolveria este problema facilmente, mas este não parece ser o foco dos desenvolvedores.

Ao invés disso, a Intelligent Systems focou em criar um mundo simplesmente incrível. Os gráficos do jogo são belíssimos, com um dos estilos de artes mais único dos últimos anos. Personagens 2D de papel enfrentam origamis e outras criaturas de papel feitas em 3D, em cenários surpreendentemente realistas em certos momentos.

Durante a nossa jornada para encontrar as sepertinas, visitamos montanhas, cidades, rios, lagos, desertos, templos e até mesmo um parque temático. Os cenários são super variados e lindíssimos, desde os mais caricatos aos que são feitos de forma mais realista.

Estes mapas não são agradáveis apenas de ver, mas também são ótimos de se explorar. Existe uma verdadeira infinidade de segredos em cada um dos mapas de Paper Mario: The Origami King. Blocos de interrogação e baús do tesouro se encontram em lugares bem escondidos, e muitas vezes podem passar batido pelo jogador.

Mas a parte mais divertida da exploração com certeza está em encontrar os Toads. Quando o Rei Origami atacou, ele dobrou todos os Toads em formas diferentes e os espalhou pelo mapa. Cada um dos mapas deste jogo possui dezenas de Toads escondidos das mais diferentes formas: Escondidos atrás de placas, dobrados em formato de animais, presos em brechas. A lista é simplesmente enorme, mas isto é um ponto muito positivo.

Cada Toad libertado torcerá por você durante os combates, e eles podem ser convocados para lhe ajudar durante as lutas, como mencionado mais acima. Além disso, cada Toad possui um diálogo único quando é libertado, que vai desde tutoriais, à dicas de como prosseguir para próximas áreas à piadas relacionadas a forma em que ele estava preso.

O humor de Paper Mario: The Origami King é de tirar o chapéu. Inúmeros momentos da história são genuinamente engraçados, e os diálogos dos Toads também não ficam para trás. O mundo do jogo é recheado de um humor leve e simples, que pode ser entendido por todos os jogadores, independente da idade.

Mas apesar do jogo ser realmente divertido, há um problema que me incomodou bastante durante toda a minha jogatina: Ele segura demais a mão do jogador. É impossível explorar o mapa por mais do que alguns minutos antes de Olivia surgir para avisar a Mario o que está acontecendo e o que precisa ser feito.

Como este Mario nunca fala, Olivia fica encarregada de explicar ao jogador tudo que está acontecendo, além de ser a responsável por dialogar com os outros personagens do jogo. E normalmente isto não seria um problema, mas sempre que Olivia aparece, o jogo inteiro para para focar no diálogo dela.

Em certos momentos, Olivia aparece várias vezes em questão de minutos, fazendo o jogador ficar mais tempo parado lendo coisas que ele já sabe do que explorando o mapa, o que chega a frustrar bastante em certos momentos.

Por fim, Paper Mario: The Origami King é um dos jogos mais criativos que eu joguei nos últimos anos. O jogo possui um estilo de arte e um senso de humor incríveis, além de ter um sistema de batalha super inovador e interessante, apesar de ser um pouco fácil. A falta de legendas em português é imperdoável, mas o jogo ainda assim é uma ótima escolha para aqueles querendo um jogo diferente dos padrões atuais.

Review elaborado com uma cópia do jogo concedida pela Nintendo do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Paper Mario: The Origami King traz inúmeras novidades ao clássico Spin-off de RPG da Nintendo. O jogo possui um dos estilos de arte mais criativos da atualidade, misturando ambientes 3D com personagens feitos de papel, origami, papel machê e afins. O sistema de combate lembra muito mais um puzzle do que um RPG, e apesar de ser interessante, acaba sendo um pouco fácil. Ainda assim, Paper Mario: The Origami King é um jogo muito divertido e repleto de personalidade que agradará não só os fãs de longa data, como aqueles que estão jogando Paper Mario pela primeira vez.

Nota final

80
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Estilo de arte único e incrivelmente belo
  • Personagens super caricatos e engraçados
  • Um mundo enorme repleto de segredos e coletáveis
  • Perfeito para todas as idades

Contras

  • Apesar de ser inovador, o sistema de combate acaba sendo um pouco fácil
  • O jogo segura demais a mão do jogador, parando tudo que está acontecendo para explicar o próximo passo, não importa o quão óbvio ele seja
  • Sem legendas em português

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