O sonho acabou: União Europeia diz que não pode obrigar Sony a continuar publicando jogos em mídia física

A União Europeia afirmou que não tem poder para impedir a Sony e outras desenvolvedoras de abandonarem a mídia física de jogos, mesmo em meio à polêmica gerada pela decisão da fabricante do PlayStation. O comissário europeu para proteção ao consumidor, Michael McGrath, declarou em Estrasburgo que a questão se resume à liberdade comercial e contratual das empresas, desde que os direitos dos consumidores sejam respeitados conforme as leis nacionais e europeias.

Critical Hits
Receba as melhores ofertas em Games, Informática e Tecnologia no seu celular

O que motivou o posicionamento da UE

O sonho acabou: União Europeia diz que não pode obrigar Sony a continuar publicando jogos em mídia física

A fala de McGrath ocorre após a Sony anunciar que os jogos de PlayStation deixarão de ser lançados em discos a partir de janeiro de 2028, seguindo um movimento já iniciado por Grand Theft Auto VI, que chegará apenas em formato digital em novembro. A decisão reacendeu o debate liderado pelo movimento Stop Killing Games, criado pelo youtuber Ross Scott em 2024, que alerta para o risco de jogos serem apagados permanentemente quando dependem exclusivamente de servidores online.

PUBLICIDADE

Pressão do Parlamento Europeu não teve efeito

No mês passado, 45 parlamentares europeus enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a McGrath pedindo um compromisso com ação legislativa sobre o tema. Em resposta, a Comissão afirmou que não pode criar leis para impedir que publishers desliguem servidores que hospedam os jogos, citando questões de direitos autorais e propriedade intelectual como limitação legal. Como alternativa, von der Leyen e McGrath disseram que a UE vai trabalhar junto às publishers para criar um código de conduta voltado ao fim de vida útil dos jogos.

O impacto para os jogadores

Ativistas comparam o fim da mídia física à retirada de vinis do mercado para fãs de música, já que a ausência de discos elimina a possibilidade de revender, compartilhar ou preservar jogos comprados por valores que costumam variar entre 80 e 100 euros. Sem uma legislação que obrigue as empresas a manterem acesso pós-venda, o consumidor fica à mercê da boa vontade das publishers para manter servidores ativos.

Essa resposta da União Europeia deixa claro que a briga contra o fim da mídia física precisará ser vencida no mercado, não nos tribunais ou parlamentos — pelo menos por enquanto. Fica a lição de que, sem pressão coordenada e contínua, dificilmente veremos uma virada legal nesse tema tão cedo; a pergunta que fica é se um código de conduta voluntário será suficiente para proteger quem já pagou por um jogo que pode simplesmente deixar de existir.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.