Novo CEO da Remedy diz que Control e Alan Wake deveriam ter vendido mais e promete não repetir fórmula da EA

Desde que Jean-Charles Gaudechon foi anunciado como novo CEO da Remedy Entertainment em fevereiro deste ano, uma parcela considerável dos fãs do estúdio finlandês passou a observar a situação com desconfiança. O motivo é simples: Gaudechon tem passagem pela Electronic Arts, empresa que ao longo dos anos se tornou sinônimo de decisões corporativas mal vistas pela comunidade gamer. Em entrevista ao The Game Business, o executivo foi diretamente ao ponto para responder essas preocupações.

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“Houve muita conversa sobre a EA. Eu entendo completamente o medo de que alguém vindo de lá tente trazer métodos que funcionam para uma empresa gigantesca e esmagar a alma de um estúdio como a Remedy”, admitiu. Segundo ele, porém, foi exatamente por conhecer a identidade do estúdio que foi escolhido para o cargo. “A Remedy é única. É um estúdio com uma criatividade incrível. Às vezes bagunçado aqui e ali, e isso faz parte da beleza dos jogos que foram criados e da forma como foram feitos. Quem sou eu para mudar o DNA de um estúdio bem-sucedido há 30 anos?”

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Gaudechon também foi direto ao rejeitar a ideia de um pivô para jogos mobile ou free-to-play, linhas que costumam surgir quando executivos com perfil mais comercial assumem estúdios criativos. Para ele, perseguir tendências de mercado sem relação com a identidade da empresa é um caminho que nunca funcionou. O foco, segundo ele, será nas franquias existentes, como Alan Wake e Control, expandindo seu alcance por meio de cross-media.

E foi nesse ponto que o CEO fez uma das declarações mais diretas da entrevista: tanto Control quanto Alan Wake deveriam ter vendido mais do que venderam. “Para mim, uma das primeiras coisas que precisamos resolver é justamente isso, antes até de tentar fazer mais jogos em certa medida. Primeiro, maximizar o potencial do que já temos, porque esses jogos são incríveis”, afirmou. A parceria com a Annapurna é citada como parte dessa estratégia para alcançar públicos que ainda não conhecem as franquias do estúdio.

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Sobre inteligência artificial generativa, Gaudechon adotou um tom mais cauteloso do que a maioria dos executivos da indústria. “Minha posição é que IA não vai tornar as coisas mais baratas, e não vai fazer isso por um bom tempo”, disse, acrescentando: “Boa sorte tentando fazer Alan Wake 2 com IA.” Ele não descarta o uso da tecnologia em etapas iniciais de desenvolvimento, mas deixou claro que ela não chegará perto do lado criativo nem ficará visível para os jogadores.

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João Victor Albuquerque
João Victor Albuquerque
Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e séries, mas sempre atrasado com todos eles. Escrevo principalmente sobre animes e tenho a tendência de tentar encaixar Hunter x Hunter ou One Piece em qualquer conversa.