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Monster Hunter Rise – Review

Após o sucesso estrondoso de Monster Hunter World, era óbvio que a Capcom não deixaria este hype morrer e lançaria o próximo jogo da franquia o mais rápido possível. Mas ao invés de apostar em um possível Monster Hunter World 2, a desenvolvedora Japonesa optou por seguir um caminho diferente, criando um jogo que não é tão aberto quanto o último, mas que possui novidades o suficiente para deixar os fãs interessados, e lançando-o exclusivamente para o Nintendo Switch.

Esta manobra pode ter parecido por um pouco arriscada inicialmente, mas após jogar inúmeras horas de Monster Hunter Rise, posso adiantar que não só a ideia da Capcom foi boa, como a execução da mesma foi ainda melhor.

Graças ao poder da RE Engine (e de desenvolvedores muito experientes), a Capcom conseguiu criar uma experiência de Monster Hunter como nenhuma outra, em uma plataforma que teoricamente não deveria ser capaz de rodar o jogo da forma que roda. Apesar de não ser tão bonito quanto World (naturalmente), Monster Hunter Rise ainda é um dos jogos mais bonitos do Nintendo Switch, com mapas, criaturas, habilidades e animações extremamente bem feitos, tudo isto enquanto roda de forma quase perfeita.

O game roda à 30FPS tanto no modo docked quanto no modo portátil, e apesar do modo portátil ocasionalmente perder um frame aqui ou ali, Monster Hunter Rise no modo docked é uma experiência estável do começo ao fim, o que é surpreendente dada a qualidade gráfica do jogo e ao hardware do Nintendo Switch.

Naturalmente, alguns sacrifícios tiveram que ser feitos. O mais notável deles é o tamanho dos mapas, que foi severamente reduzido se comparado aos mapas de Monster Hunter World. Entretanto, eu pessoalmente preferi os mapas menores de Rise, pois eles permitem que eu chegue à ação mais rapidamente caso eu deseje, ao mesmo tempo em que oferecem um grande nível de exploração vertical, que é uma das novidades de MHR.

Uma das adições mais importantes e revolucionárias feitas por Monster Hunter Rise são os Wirebugs. Estes insetos ficam sempre com o jogador, e podem ser utilizados das mais diferentes formas, como se fossem o gancho do Batman ou a teia do Homem-Aranha. Eles podem ser utilizados para se locomover em qualquer direção, incluindo para cima, o que abre espaço para mapas muito mais verticais, e Rise se aproveita disto.

Graças aos Wirebugs, podemos escalar morros e áreas mais altas em questão de segundos, e sempre há algo esperando o jogador nestes lugares, seja recursos importantes para a caçada, itens únicos ou até mesmo novos locais para o acampamento.

Mas as funções dos Wirebugs não param por aí. Eles também podem ser usados como uma manobra defensiva, puxando os jogadores para longe do perigo, ou de forma ofensiva através de golpes chamados Silkbinds. Cada um dos 14 tipos de armas diferentes em Monster Hunter Rise possui tipos de Silkbinds diferentes, e muitos deles são simplesmente devastadores. Atacar monstros grandes com Silkbinds o suficiente fará com que eles caiam e sejam presos por fios, dando ao Caçador a chance de montá-los.

Poder montar nos monstros que está caçando é mais uma das novidades de Rise, e é uma mecânica que se encaixa perfeitamente com a frequência. Enquanto estiver montado no monstro, é possível se mover pelo mapa em cima dele, atacar outros monstros para causar enormes quantidades de dano (e fazer partes destes monstros caírem no chão) e jogar o monstro contra outros monstros ou contra a parede, fazendo os monstros caírem (para serem montados em seguida) ou apenas causando grandes danos ao monstro montado.

Esta nova mecânica é simplesmente incrível, e não há nenhum tipo de desvantagem em montar um monstro caído. Mesmo se não houver outros monstros por perto, montar em um monstro apenas para lançá-lo contra a parede enquanto seus aliados causam dano é algo que todos os jogadores deveriam aproveitar.

Por falar em aliados, Rise continua a tradição da franquia de ser um jogo focado para o multiplayer, com caçadas podendo ser feitas em até 4 jogadores. Entretanto, o game fez algumas alterações mais do que bem vindas para tornar a experiência singleplayer mais agradável.

Em Monster Hunter Rise, missões singleplayer e multiplayer são inteiramente separadas e diferentes, com rankings de caçador diferentes para os dois tipos de missão. O jogo balanceia as missões singleplayer de forma diferente, com monstros tendo menos vida para compensar o fato de que apenas você e seus aliados animais estão participando da caçada.

Isto torna a experiência de Rise mais agradável e fácil para jogadores novatos, que podem se acostumar com as inúmeras mecânicas que o jogo possui no modo singleplayer, para então poder se aventurar no modo online, que é onde a verdadeira dificuldade está.

Outra adição que torna a experiência singleplayer ainda mais interessante é a de um novo companheiro animal, os Palamutes. Palamutes são cachorros capazes de ajudar o jogador tanto dentro quanto fora de combate. Eles podem ser montados à praticamente qualquer momento, que é a melhor de se mover pelo mapa e de perseguir monstros feridos.

Além disso, os Palamutes (e Palicoes) podem ser equipados com habilidades e equipamentos diferentes, mudando completamente a forma que eles agem em combate. O melhor de tudo é que os Palamutes também podem ser levados para as missões online, e eles continuam sendo extremamente úteis.

Mas apesar de todas estas melhorias voltadas para tornar o modo singleplayer mais interessante, Monster Hunter Rise ainda continua sendo um jogo difícil de se começar. E isto não é culpa do jogo necessariamente, mas sim da franquia Monster Hunter como um todo, que possui tantas mecânicas e features diferentes (que muitas vezes não são muito bem explicadas), que acaba complicando muito as coisas para um novo jogador, que será bombardeado com novas informações que ele não sabe exatamente o que significam a cada 30 segundos.

Ainda assim, Rise é um dos, se não o, melhor ponto de início para a franquia Monster Hunter até hoje, principalmente se você tiver amigos experientes para lhe explicar os detalhes mais complicados.

Em termos de gameplay, MHR segue o mesmo padrão visto nos últimos jogos da franquia, com a adição das mecânicas mencionadas acima. Basicamente, você inicia missões para caçar monstros e coletar partes deles após derrotá-los, para poder criar armas e armaduras mais fortes na vila do jogo e conseguir caçar mais monstros ainda mais poderosos para conseguir armas e armaduras ainda melhores.

Este loop de gameplay é bem intuitivo, mas não demora muito até que a complexidade de tudo comece a surgir. Mas com algumas horas de gameplay (e alguns guias ao seu lado, preferencialmente) tudo começa a fazer sentido, e será totalmente normal perder horas farmando monstros específicos para criar aquela arma que você precisa para derrotar um monstro mais poderoso e desbloquear mais missões.

O combate de Monster Hunter Rise é tão satisfatório que torna atividades repetitivas como esta agradáveis, e a sensação de derrotar um monstro que deu tanto trabalho no passado facilmente graças ao equipamento novo que você passou horas construindo é incrivelmente satisfatória.

No mais, Monster Hunter Rise é um ótimo jogo, e uma das melhores experiências de toda a franquia. Com mapas menores e mais verticais, os jogadores são lançados na ação de forma mais rápida, tornando a experiência mais direta e dinâmica. O game roda de forma quase perfeita no Nintendo Switch, e se destaca como um dos jogos mais bonitos do console. A trilha sonora é impecável como sempre, e os novos monstros são simplesmente incríveis. Para fechar com chave de ouro, Monster Hunter Rise ainda torna o modo singleplayer mais simples e prazeroso de se jogar, algo que a franquia estava precisando há um bom tempo.

Review Elaborado com uma cópia do jogo cedida pela Nintendo do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Monster Hunter Rise é uma adição incrível à franquia Monster Hunter, que possíveis novidades super criativas que compensam totalmente a diminuição dos mapas comparados ao jogo anterior. O combate está mais dinâmico do que nunca, os novos monstros estão impecáveis e a trilha sonora continua espetacular. Apesar do foco do game ainda ser o multiplayer, Monster Hunter Rise fez várias alterações muito bem vindas para tornar a experiência singleplayer mais agradável e divertida, algo que a franquia estava precisando há muito tempo.

Nota final

90
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Novas adições como os Wirebugs e Palamutes trazem um novo ar à franquia
  • Nunca foi mais fácil jogar Monster Hunter sozinho
  • Um dos jogos mais bonitos do Nintendo Switch
  • Novos monstros incríveis
  • Trilha sonora impecável

Contras

  • Apesar das novas adições tornarem o acesso à franquia mais fácil, Monster Hunter ainda é uma franquia muito complexa de se começar, principalmente para aqueles que pretendem jogar sozinhos

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