A Microsoft removeu páginas que recomendavam 32 GB de RAM para jogar títulos mais pesados no Windows 11, em uma mudança que chama atenção justamente no momento em que os preços da memória continuam em alta. A decisão também coincide com a chegada de novos dispositivos Surface vendidos com apenas 8 GB, o que reforça a virada de discurso da empresa sobre hardware e consumo de memória.
Segundo a publicação original do WindowsLatest, um dos textos apagados havia sido publicado na Central de Aprendizado do Windows em novembro de 2025. O guia, chamado “Como otimizar a configuração do seu PC gamer”, dizia que 16 GB eram suficientes para a maioria dos jogos, mas que 32 GB seriam o ideal para quem quisesse rodar games mais exigentes ou usar modificações mais complexas. Outra página, publicada depois, tratava 16 GB como ponto de partida e descrevia 32 GB como uma atualização capaz de colocar o jogador em uma espécie de “zona sem preocupações”. As duas páginas foram removidas ou passaram a redirecionar para a página inicial da Central de Aprendizado.
A Microsoft não apresentou uma explicação pública para a exclusão desses conteúdos, mas o momento da mudança levanta questionamentos. Ao mesmo tempo em que suaviza a recomendação para jogos, a empresa passou a vender novos modelos Surface com configurações básicas de 8 GB de RAM. O Surface Pro de 12 chegou ao mercado nos Estados Unidos por a partir de US$ 849, enquanto o Surface Laptop 13 parte de US$ 949. Nos dois casos, as versões mais baratas trazem apenas 8 GB.
Na página do Surface Laptop, a própria Microsoft afirma que essa quantidade é adequada para tarefas do dia a dia, como navegação na internet e uso de aplicativos de produtividade. Já para quem pretende lidar com mais programas abertos ao mesmo tempo, executar softwares mais exigentes ou acessar os recursos dos Copilot+ PCs, a recomendação sobe para pelo menos 16 GB. O detalhe é que os modelos com 8 GB não atendem aos requisitos definidos pela empresa para a certificação Copilot+, que exige NPU com pelo menos 40 TOPS, SSD de 256 GB e 16 GB de RAM.
Essa contradição fica ainda mais evidente porque a Microsoft também promete tornar o Windows 11 mais leve. Em uma atualização publicada em 31 de julho, a companhia colocou a “otimização de memória para 8 GB ou mais” entre as prioridades do sistema, com a meta de reduzir o uso de RAM e melhorar a resposta do sistema no uso cotidiano. As mudanças devem começar a ser distribuídas até o fim de 2026, junto de ajustes no processo de configuração inicial, nos controles familiares e na interação por voz.
No papel, o Windows 11 ainda exige apenas 4 GB de RAM para instalação, mas isso está longe de representar uma experiência confortável para jogos, multitarefa ou uso mais pesado. A própria revisão da orientação da Microsoft mostra como o mercado de PCs está sendo pressionado pela escassez de memória. De acordo com a IDC, a falta de componentes deve seguir até o fim de 2027, com queda prevista de 11,3% nas remessas globais de PCs em 2026 e aumento de 17% no preço médio dos aparelhos.
Nesse cenário, faz sentido que as fabricantes tentem segurar os custos com configurações mais modestas. O problema é que a Microsoft agora precisa sustentar a ideia de que 8 GB ainda bastam em máquinas premium, ao mesmo tempo em que reconhece, de forma indireta, que 16 GB seguem como o ponto mais equilibrado para a maioria dos usuários. Para quem joga, trabalha com vários programas abertos ou pretende usar o computador por mais tempo sem limitações, a mensagem continua clara: 8 GB é o mínimo aceitável, não a escolha ideal.

