A Micron fechou contratos de longo prazo com 16 grandes clientes para vender memória até 2030 dentro de faixas de preço previamente definidas. A estratégia foi apresentada pelo CEO Sanjay Mehrotra durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre fiscal e reforça a expectativa da empresa de que a escassez global de chips deve continuar por vários anos.
Na prática, os acordos estabelecem volumes de compra e também um piso e um teto para os preços. Segundo Mehrotra, o valor mínimo garantido nesses contratos assegura margens brutas superiores às registradas pela Micron nos melhores trimestres de ciclos anteriores, enquanto o limite máximo protege os clientes contra novas altas bruscas no mercado.
A companhia acredita que essa estrutura foi aceita porque a oferta de memória ainda deve permanecer abaixo da demanda por um bom tempo. Mesmo com a expansão gradual da capacidade de produção ao longo da década, a empresa não vê uma normalização rápida do mercado. A expectativa é de alguma melhora por volta de 2028, mas sem uma previsão concreta de equilíbrio entre oferta e consumo.
Um dos principais entraves é o custo crescente para ampliar a fabricação. Construir novas fábricas ficou mais caro e demorado, enquanto os fabricantes precisam dividir recursos entre memórias HBM, usadas em aceleradores de inteligência artificial, e produtos tradicionais como DRAM e NAND. Esse cenário ajuda a explicar por que a Micron considera que a oferta seguirá limitada, mesmo com investimentos bilionários no setor.
Os contratos de longo prazo representam cerca de 40% da receita da empresa. O restante continuará sendo negociado no mercado tradicional, o que dá à Micron espaço para ajustar preços conforme a demanda. Além disso, os clientes desses acordos fazem pagamentos antecipados, o que ajuda a financiar a expansão da capacidade produtiva.
Os números mais recentes mostram como a empresa está surfando esse ambiente de preços elevados. A receita chegou a US$ 41,5 bilhões, o quinto recorde trimestral seguido da companhia, com alta de 346% em relação ao mesmo período do ano anterior. A divisão de DRAM faturou US$ 31,3 bilhões, enquanto a NAND somou US$ 9,9 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 28,9 bilhões, e a margem bruta atingiu 84,9%.
Para o quarto trimestre fiscal, a Micron projeta desempenho ainda mais forte, com receita próxima de US$ 50 bilhões e margem bruta em torno de 86%. O recado da empresa é claro: a próxima geração de memórias deve continuar pressionando custos para cima, e o mercado ainda não parece perto de uma oferta capaz de aliviar esse cenário.

