Marvel’s Wolverine virou alvo de piadas e críticas antes do lançamento por usar um rastro de cheiro deixado por Jean Grey para indicar o caminho ao jogador. O efeito visual, apelidado nas redes sociais de “gás de peido”, reacendeu uma discussão sobre o quanto jogos de ação devem orientar o público durante a exploração.
This video has been doing the rounds today, but in case you haven't seen this, it's from the SkillUp review of Insomniac's Wolverine, but it shows an egregious example of what they mean of the Wolverine game not trusting its audience even a little bit. pic.twitter.com/f5aC8MXaYf
— AestheticGamer aka Dusk Golem (@AestheticGamer1) September 10, 2026
A cena mostra Logan atravessando uma área coberta de neve enquanto diferentes elementos apontam simultaneamente para a direção correta. Além do rastro associado aos sentidos aprimorados do personagem, o trecho apresenta marcador de objetivo, objetos destacados no cenário, raízes que conduzem a um colecionável e outras pistas visuais inseridas no ambiente.
Para parte do público, esse conjunto de indicações faz parecer que Marvel’s Wolverine não confia na capacidade do jogador de observar o cenário e descobrir o caminho por conta própria. A crítica também se relaciona à estrutura da campanha, descrita em algumas análises como linear e bastante guiada. The Guardian questionou a limitação dos ambientes e a repetição dos combates, enquanto The Verge considerou positiva a decisão da Insomniac Games de abandonar o formato de mundo aberto adotado em Spider-Man.
A discussão ganhou outra camada porque o jogo oferece opções para reduzir ou desligar recursos de assistência. O Navigation Assist, por exemplo, cria uma trilha para indicar a direção do inimigo mais próximo ou do objetivo da missão. Marcadores de missão e outros elementos da interface também podem ser ajustados.
No entanto, testes realizados por Gene Park, do The Washington Post, e Kenneth Shepard, da Kotaku, indicaram que o rastro de cheiro continuava aparecendo mesmo depois que as assistências de navegação e os marcadores eram desativados. Isso sugere que o recurso não está ligado às opções de acessibilidade, mas integra uma habilidade própria de Logan. Materiais divulgados antes do lançamento já mostravam o personagem usando seus sentidos para seguir companheiros, encontrar colecionáveis e localizar pontos de interesse.
Por isso, a polêmica lembra a discussão sobre a chamada “tinta amarela”, usada em muitos jogos para destacar superfícies escaláveis, caminhos e objetos interativos. O debate não envolve apenas a existência de ferramentas opcionais, mas também a quantidade de pistas exibidas ao mesmo tempo e o impacto delas na exploração.
Marvel’s Wolverine acumulava 77 pontos no Metacritic após mais de 100 avaliações, com notas variando entre elogios máximos e críticas de 5/10 e 6/10. História, violência, atuações e a representação de Wolverine aparecem entre os aspectos positivos citados nas análises, enquanto linearidade e repetição estão entre os pontos contestados.
Marvel’s Wolverine será lançado em 15 de setembro de 2026, exclusivamente para PlayStation 5, com versões para o console padrão e melhorias no PS5 Pro. No Brasil, a edição padrão custa R$ 399,90 na PlayStation Store. A polêmica do rastro de cheiro resume bem o principal conflito em torno do jogo: a Insomniac parece ter trocado a liberdade de exploração por uma experiência mais controlada, escolha que pode agradar quem busca ritmo direto, mas irritar jogadores que preferem interpretar o cenário sem tantas instruções.

