Satoru Iwata, ex-presidente da Nintendo, afirmou em 2013 que cortes de pessoal podem oferecer “melhores resultados financeiros no curto prazo”, mas que “funcionários que vivem com medo de serem demitidos nunca produzirão o mesmo desempenho”. A declaração ressalta uma postura pouco comum na indústria atual, marcada por demissões em massa recorrentes.
Durante o período de dificuldades financeiras da Nintendo, especialmente após os lançamentos dos consoles 3DS e Wii U, Iwata optou por uma abordagem diferente. Em 2011, ele mesmo reduziu seu salário em 50% e incentivou outros executivos a fazerem sacrifícios semelhantes. Apesar de três anos consecutivos de prejuízos operacionais, a empresa realizou cortes de gastos desnecessários e aumentou a eficiência, mas não promoveu demissões em larga escala.
Princípios da gestão de pessoal na Nintendo sob Iwata

Em resposta a um investidor curioso sobre a ausência de reestruturação por demissão em 2013, Iwata explicou que reduzir o quadro de funcionários para melhorar os resultados financeiros no curto prazo causaria queda na moral e produtividade. Para ele, colaboradores inseguros e temerosos não seriam capazes de desenvolver jogos capazes de impressionar globalmente.
“Na Nintendo, os funcionários fazem contribuições valiosas em suas áreas, por isso acredito que demitir grupos de funcionários não ajudará a fortalecer o negócio a longo prazo”, disse ele. “Nossa política atual é alcançar resultados favoráveis cortando despesas desnecessárias e aumentando a eficiência.”
Embora essa visão tenha sido posteriormente ofuscada pelas estruturas e práticas em outros mercados, principalmente no Ocidente, onde a legislação trabalhista é mais flexível, ela permanece notável diante do atual panorama global, em que editoras como Sony e Microsoft promovem cortes em massa que impactam milhares de desenvolvedores.
A postura de Iwata, valorizando o aspecto humano e a estabilidade da equipe em vez de ganhos financeiros imediatos através de demissões, reforça a importância de estratégias que considerem o bem-estar dos profissionais por trás dos jogos. Isso representa um marco ético na gestão da força de trabalho da indústria, especialmente em um momento em que milhares de desenvolvedores enfrentam insegurança laboral constante.

