A Koei Tecmo definiu uma estratégia mais equilibrada para o ano fiscal que termina em março de 2027 e quer diminuir a dependência de jogos AAA. Em vez de apostar quase tudo em poucas produções de grande porte, a empresa pretende sustentar seu catálogo com uma combinação de lançamentos principais, títulos de médio porte e projetos adicionais ainda não revelados.
Os detalhes vieram do briefing financeiro do primeiro trimestre, citado pelo Automaton Media. Segundo a companhia, o plano atual prevê seis títulos principais para PC e consoles, 19 jogos de porte médio e dois projetos online/mobile desenvolvidos internamente, além de outras produções que ainda não foram anunciadas.
Dentro da própria classificação da Koei Tecmo, jogos como Wo Long: Fallen Dynasty e a série Nioh entram na categoria de títulos principais. Já o grupo de médio porte inclui franquias como Atelier, Nobunaga’s Ambition e também remasters. Na prática, isso mostra que a empresa pretende usar seu catálogo tradicional como uma base mais estável de receita, sem ficar refém apenas de grandes lançamentos.
A preocupação faz sentido diante do aumento constante dos custos de desenvolvimento na indústria. Em vez de concentrar recursos em uma única aposta de alto risco, a Koei Tecmo quer espalhar esse risco entre remasters, ports para Switch 2 e jogos de médio porte, que podem funcionar como apoio financeiro entre um grande lançamento e outro.
A empresa também vem ampliando sua estrutura para dar conta desse plano. O quadro de funcionários cresceu de 2.500 para mais de 3.000 pessoas em dois anos, e a meta continua sendo chegar a 5.000 colaboradores. A ideia é aumentar a capacidade de produção sem perder qualidade, algo essencial para manter um fluxo constante de projetos.
Entre os jogos já anunciados, dois aparecem como os mais importantes dentro da linha de produções maiores: Wo Long 2: Wings of Ember, desenvolvido pelo Team Ninja, e Attack on Titan 3, produzido pela Omega Force. Os dois carregam franquias já conhecidas do público, o que ajuda a reduzir parte do risco comercial típico de jogos desse porte.
Além disso, a empresa ainda mantém vários projetos em segredo. Um deles é FUJI, codinome de uma nova IP que recebeu apoio financeiro do governo japonês por meio de um programa de subsídios. Embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados, o investimento indica que se trata de um projeto considerado estratégico pela Koei Tecmo.
No fim das contas, a leitura mais clara é que a Koei Tecmo está tentando fazer o que muitas empresas do setor ainda resistem em assumir: grandes produções continuam importantes, mas não podem sustentar sozinhas toda a operação. Em um mercado cada vez mais caro e instável, a solidez pode vir justamente da variedade.
