Ken Kutaragi, responsável pela criação da primeira PlayStation, afirmou que a inteligência artificial pode tornar as consolas tradicionais desnecessárias. Para o antigo executivo da Sony, existe “um perigo muito real” de que o hardware dedicado deixe de ser necessário à medida que serviços baseados em IA evoluem na nuvem.

A declaração foi feita durante o evento Game Republic New Horizons, realizado em Middlesbrough, no Reino Unido, entre 14 e 16 de outubro. A entrevista foi conduzida por Christopher Dring, da The Game Business, que divulgou um primeiro trecho da conversa e indicou que a versão completa será publicada posteriormente. Kutaragi também deixou claro que a opinião apresentada é pessoal e não representa a posição oficial da Sony.
O futuro pode estar longe do hardware dedicado
Ao comentar o momento atual de PlayStation e Xbox, Kutaragi retomou uma ideia que já ouvia desde o lançamento da primeira PlayStation e, mais tarde, da PlayStation 2: a de que a tecnologia acabaria convergindo para a rede. Na avaliação dele, a inteligência artificial representa justamente a concretização desse caminho.
O ex-executivo também criticou o custo das máquinas atuais. Ele considera que o mercado de consolas atravessa uma situação pouco saudável, especialmente porque computadores e outros equipamentos necessários para jogar ficaram caros a ponto de se aproximarem do preço de um automóvel.
Kutaragi lembrou ainda que a PlayStation 4 abandonou uma arquitetura mais específica de consola em favor de uma base semelhante à dos computadores. A mudança facilitou o desenvolvimento de jogos, mas também aproximou o setor de uma estrutura em que o preço do hardware se tornou um problema cada vez maior.
A IA como alternativa às consolas
O segundo ponto levantado por Kutaragi envolve a forma como plataformas de inteligência artificial já funcionam. Serviços como Google Gemini são executados principalmente em servidores e acessados pela internet, em vez de dependerem da capacidade do aparelho do utilizador.
Na visão dele, esse modelo pode avançar até permitir experiências muito mais sofisticadas diretamente pela rede. Caso isso aconteça, o público poderia acessar jogos e outros conteúdos sem precisar comprar uma consola dedicada. A declaração não representa uma previsão confirmada para o fim do hardware, mas expõe uma preocupação concreta sobre o caminho tecnológico e econômico seguido pela indústria.
O alerta de Kutaragi coloca em perspectiva um desafio importante para fabricantes como Sony e Microsoft: justificar o custo de equipamentos cada vez mais potentes quando serviços em nuvem e inteligência artificial prometem transferir parte significativa do processamento para servidores remotos.

