Keanu Reeves enviou uma carta a um juiz federal pedindo clemência para Carl Rinsch, diretor de 47 Ronins, condenado em dezembro do ano passado por fraudar a Netflix em US$ 11 milhões. O documento foi protocolado nesta semana pela defesa do cineasta como parte da memoranda de sentença, que está marcada para 29 de junho (via Variety).
Na carta, datada de 1º de maio e dirigida ao juiz Jed Rakoff, Reeves descreveu Rinsch como um “artista excepcional” e pediu que a pena fosse “temperada com leniência e misericórdia”. O ator reconheceu não conhecer os detalhes do caso, mas falou sobre o diretor a partir de sua relação pessoal e profissional com ele. Os dois trabalharam juntos em 47 Ronins e mantiveram contato ao longo dos anos, com Reeves visitando Rinsch em sua casa em Los Angeles para discutir arte e vida.
Reeves chegou a ser um dos primeiros investidores e mentores no projeto White Horse, a série de ficção científica que está no centro do escândalo. Foi inclusive em sua casa que uma executiva da Netflix leu o roteiro antes de assinar o contrato com Rinsch, em 2018. “Na minha opinião, Carl pode se autossabotar ao ampliar a escala, o escopo e a dimensão do que havia sido negociado, colocando a si mesmo e seus parceiros em conflito”, escreveu. “Não pretendo compartilhar isso como uma desculpa, mas apenas como uma possível visão do porquê.”

O caso envolveu um esquema no qual Rinsch utilizou recursos destinados à produção da série para uma série de gastos pessoais luxuosos, que incluíram carros de alto padrão, um colchão artesanal sueco de US$ 439 mil e centenas de pedidos de delivery. A Netflix desembolsou ao todo cerca de US$ 55 milhões no projeto, que nunca passou de alguns clipes teaser, antes de cancelá-lo em 2021. Rinsch ainda tentou processar a plataforma por US$ 14 milhões que alegava ser devido contratualmente, mas em 2024 uma arbitragem decidiu a favor da empresa, condenando-o a pagar US$ 12 milhões, valor que segue sem ser quitado.
Agora, sob as diretrizes federais, Rinsch pode ser condenado a entre 8 e 10 anos de prisão. A defesa pede uma pena alternativa, sem reclusão, alegando que é a primeira infração do réu e que o escândalo já representou “o provável fim de sua carreira”. A equipe jurídica também alega que Rinsch enfrenta sérios problemas de saúde mental, argumento que não foi central durante o julgamento, mas que deve ganhar espaço na audiência de sentença. Além da restituição dos US$ 11 milhões, a Netflix pleiteia mais US$ 4,4 milhões em honorários advocatícios.

Matthew Rosengart, advogado de Reeves, confirmou ao Deadline que o ator “não esteve envolvido no julgamento e não testemunhou”, mas decidiu oferecer seu apoio a Rinsch “simplesmente como amigo e artista”. Os promotores do Distrito Sul de Nova York devem apresentar sua própria recomendação de pena até 16 de junho, e a tendência é que defendam a prisão.
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