Kadokawa começa a derrubar vídeos de resumo de animes em disputa por direitos autorais

A Kadokawa, publisher e produtora de animes conhecida por obras como Re:ZERO e Oshi no Ko, intensificou sua ofensiva contra vídeos de resumo publicados no YouTube. A empresa está em uma disputa judicial com três criadores sul-coreanos desde janeiro deste ano e, segundo a decisão mais recente citada pelo Torrentfreak, um tribunal dos Estados Unidos rejeitou a tentativa deles de derrubar o caso com base em fair use.

Critical Hits
Receba as melhores ofertas em Games, Informática e Tecnologia no seu celular

Re: Zero tem a heroína mais subestimada dos Isekai e o episódio 2 da  temporada 3 prova isso - Critical Hits

Os canais pertencem a Bongseop Kim, Woohyuk Yang e Youngyoon Ko, que publicam vídeos com recaps de animes, incluindo títulos da própria Kadokawa, usando narração original sobre trechos das obras. Para a publisher, esse tipo de conteúdo configura violação de direitos autorais. Por isso, a empresa tenta identificar os responsáveis por trás dos canais por meio de uma solicitação de DMCA subpoena.

PUBLICIDADE

Na tentativa de barrar o processo, os três criadores afirmaram que não operavam como um esquema de pirataria e que seus vídeos se enquadravam em uso justo. Eles argumentaram que os materiais não reproduziam integralmente as obras e utilizavam apenas partes limitadas do conteúdo original. Kim, por exemplo, disse que seu vídeo sobre um episódio de A Ninja and an Assassin Under One Roof usou cerca de 15,8% do episódio. Já Yang afirmou que sua análise de Oshi no Ko aproveitou menos de 10% do conteúdo total e evitou revelar grandes reviravoltas ou finais.

Os YouTubers também sustentaram que os vídeos tinham caráter de comentário para o público de língua coreana e não substituíam os canais oficiais de distribuição. Segundo os dados apresentados nos autos, Kim teria gerado 114.494 sessões de clique para a plataforma licenciada Laftel, com taxa de engajamento de 82,09%, o que, na visão deles, mostraria que o conteúdo ajudava a levar audiência aos serviços oficiais. Ainda assim, a Kadokawa manteve a pressão jurídica, após já ter retirado reivindicações de copyright quando os criadores apresentaram contra-notificações.

A juíza Trina L. Thompson, no entanto, negou o pedido para encerrar o caso e concluiu que as alegações de fair use não se sustentavam. De acordo com a decisão, o material analisado era insuficiente em parte porque os vídeos contestados haviam sido tornados privados. O entendimento do tribunal foi de que os conteúdos se limitavam principalmente a descrever e narrar as obras protegidas, sem crítica, paródia ou transformação relevante, o que não seria suficiente para caracterizar uso permitido pela lei.

A decisão reforça uma tendência mais dura contra canais e sites que vivem de resumir obras completas sem oferecer transformação clara ao conteúdo original. Em um mercado em que o consumo de animes cresce e a circulação de recaps virou negócio, o caso mostra que o limite entre comentário e substituição comercial da obra está cada vez mais sob vigilância.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.