Dezenas de jogadores se reuniram em frente à sede da Electronic Arts em Redwood City neste domingo (11) para protestar contra a venda da empresa por 55 bilhões de dólares para a Arábia Saudita, num ato organizado pelo grupo Players Alliance que reuniu faixas, fantasias e mais de 70 mil assinaturas em petição contrária à aquisição.
O protesto foi transmitido ao vivo pela Twitch e contou com manifestantes vestidos com os famosos plumbobs de The Sims, segurando cartazes com frases como “devs e jogadores acima dos investidores” e “sem DLC para a ganância corporativa”. Entre os adereços mais criativos estavam recortes dos rostos do CEO da EA Andrew Wilson, do empresário Jared Kushner, cujo grupo de private equity também faz parte da compra, e do primeiro-ministro saudita Mohammed bin Salman, todos com barras de vida em formato de coração acima das cabeças, como se fossem chefões de videogame.
O ponto central do ato foi o desdobramento de uma faixa gigante de 15 metros com as assinaturas das mais de 70 mil pessoas que assinaram a petição contra a aquisição. Durante a transmissão, o streamer SlayerKase fez um discurso que resumiu bem o sentimento dos presentes, lembrando que a empresa nasceu com a proposta de tratar games como arte e questionando o que restou dessa visão original diante de um negócio movido principalmente por microtransações e decisões financeiras.
Além da venda em si, o grupo também expressou insatisfação com as demissões em massa promovidas pela EA nos últimos anos e com o modelo de monetização agressivo que domina seus principais títulos. Ao encerrar o protesto, os organizadores pediram que os espectadores entrassem em contato com seus representantes legislativos para tentar barrar a transação.

A compra pela Arábia Saudita foi anunciada em setembro do ano passado e gerou reação imediata da indústria, de fãs preocupados com o impacto em franquias com representação LGBTQ+ como Mass Effect e The Sims, e até de políticos americanos. Em dezembro, os acionistas da EA aprovaram a transação, que deve ser concluída ainda neste verão.
O governo saudita tem sido criticado por utilizar investimentos em entretenimento e esportes como ferramenta de soft power, adquirindo empresas, eventos tradicionais da comunidade gamer e tentando criar seus próprios torneios competitivos internacionais.


