Japão cria força-tarefa contra cambistas e falsificações de cards de Pokémon e outros animes

O governo do Japão vai montar uma força-tarefa para enfrentar a escalada de cambismo e de cartas falsificadas no mercado de trading cards, com foco em Pokémon e outras franquias populares. A iniciativa surge em meio ao crescimento acelerado do setor, que movimenta cifras bilionárias e também tem atraído problemas como revenda abusiva, golpes e até suspeitas de lavagem de dinheiro.

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Segundo a Kyodo News, parlamentares do Partido Liberal Democrata, que governa o país, estão preparando um grupo parlamentar dedicado ao tema. A primeira reunião está marcada para 23 de julho, quando representantes do setor e do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão devem apresentar os principais desafios enfrentados por colecionadores, lojas e fabricantes.

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O avanço desse mercado ajuda a explicar a urgência da medida. Jogos de cartas como Pokémon e Yu-Gi-Oh! ganharam enorme popularidade no Japão e fora dele, com exemplares raros sendo vendidos por valores altíssimos. Em casos extremos, cartas cobiçadas passaram a ser tratadas quase como investimentos, o que ampliou a pressão sobre o mercado e abriu espaço para práticas oportunistas.

Entre os problemas mais citados estão a compra em massa por cambistas, a circulação de cartas falsas e os furtos. Nos últimos meses, episódios desse tipo chamaram atenção internacional: em 8 de abril, dois irmãos ganharam repercussão após se declararem culpados pelo roubo de cartas de Pokémon avaliadas em US$ 95 mil em um caso de duplo furto. Na Coreia do Sul, um evento gratuito de cartas de Pokémon também foi cancelado depois que cerca de 40 mil fãs lotaram um encontro em Seul.

A pressão sobre os preços de revenda não atinge apenas Pokémon. Cartas de outras linhas, como Umamusume, também passaram a aparecer com valores inflados no mercado secundário, para frustração de fãs que querem apenas colecionar ou jogar. Esse cenário reforça a preocupação de autoridades e empresas com a falta de controle em um setor que cresceu rápido demais para ficar sem fiscalização mais rígida.

Além de discutir regras para tornar as transações mais seguras e transparentes, o grupo também deve avaliar a prática de compras em grande volume e o uso de cartas caras em possíveis esquemas de lavagem de dinheiro. A preocupação faz sentido: a Associação de Brinquedos do Japão informou que o mercado de trading cards chegou a cerca de ¥338,4 bilhões em 2025, o equivalente a aproximadamente US$ 2,3 bilhões.

A medida também dialoga com o que a The Pokémon Company já vinha estudando, ao considerar verificações de identidade emitidas pelo governo para algumas vendas de produtos e cartas, com o objetivo de dificultar a ação de cambistas. É uma resposta tardia, mas necessária: quando um hobby passa a ser dominado por especulação e fraude, o prejuízo recai justamente sobre quem sustenta esse mercado, os próprios fãs.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.