Troy Baker, ator que interpretou Higgs em Death Stranding 2, descreveu Hideo Kojima como um criador que coloca impacto acima de entretenimento em entrevista à GamesRadar+ às vésperas do BAFTA Game Awards 2026, que acontece na próxima sexta-feira, 17 de abril, em Londres.
Para Baker, trabalhar com Kojima foi um exercício de confiança mútua: o diretor confiou a ele o papel, e o ator confiou que Kojima sabia para onde a história estava indo. Segundo ele, o sucesso do personagem Higgs se deve justamente a como ele se encaixa na visão maior do projeto, uma visão que define o jeito de Kojima fazer jogos.

Baker traçou uma distinção que resume bem a filosofia kojimiana. Segundo ele, muitos desenvolvedores hoje em dia se concentram em garantir que o jogador se divirta o tempo todo, o que é compreensível dado que jogos são entretenimento. Mas há outro grupo de criadores que prefere que o jogador saia da experiência impactado, não necessariamente entretido. Essa abordagem exige confiança, fé e grandes apostas, e coloca muito em jogo.
“A única forma que ele conhece de jogar é no alto”, disse Baker sobre Kojima, comparando o diretor ao jeito que ele fez Metal Gear: tudo altamente conceituado, enorme e pensado em detalhes. Para Baker, conseguir executar algo nessa escala com talento e confiança ao redor é “um milagre, de verdade”.
A observação de Baker ressoa com algo que o próprio Kojima disse anteriormente sobre Death Stranding 2: sua intenção era fazer um jogo que não fosse “digerível”, porque algo que não se digere facilmente permanece na pessoa por mais tempo. O diretor chegou a tornar o jogo deliberadamente mais estranho após feedbacks de playtesters serem positivos demais, exatamente porque não busca fazer jogos que se encaixem em moldes estabelecidos.

