Hideo Kojima criticou o modo como as redes sociais distorcem a realidade ao transformar opiniões em supostas verdades. Para o criador japonês, muitas pessoas não procuram compreender um assunto, mas apenas encontrar confirmações para aquilo que já pensam, criando ambientes fechados e resistentes a visões diferentes.
O comentário foi feito durante uma conversa com o cineasta Alejandro González Iñárritu, realizada por ocasião da estreia de Digger. A discussão levou Kojima a relacionar o filme com temas abordados em Metal Gear Solid, lançado em 2001, especialmente a manipulação da informação e o uso da inteligência artificial para controlar aquilo que chega ao público.
Redes sociais como câmaras de eco

Kojima afirmou que, embora as redes sociais ainda não existissem quando Metal Gear Solid foi desenvolvido, o jogo apresentava uma história em que esse tipo de mecanismo parecia ganhar vida. Na avaliação dele, a ideia deixou de ser apenas ficção e passou a fazer parte do cotidiano.
“Atualmente, tornou-se a nossa realidade. Nas redes sociais, as falsas informações continuam a expandir-se e existe a possibilidade aterradora de influenciar a política e as nossas vidas”, declarou Kojima.
Iñárritu concordou que a humanidade está perdendo uma referência comum de realidade e migrando para verdades fragmentadas pelos algoritmos. Segundo o diretor, as discussões sobre Digger muitas vezes se concentram nas histórias criadas em torno do filme, e não na obra em si.
O exemplo de Death Stranding

A conversa também levou Kojima a citar Death Stranding. O desenvolvedor lembrou que muitas pessoas repetiam a expressão “simulador de caminhadas” para descrever o jogo mesmo sem tê-lo jogado. Para ele, o mais preocupante é a permanência desse tipo de julgamento, reforçado por usuários que entram em contato apenas com opiniões alinhadas às próprias preferências.
“As pessoas são expostas às opiniões que lhes agradam e às coisas de que gostam, portanto não encontram coisas e opiniões diferentes”, afirmou. Na visão de Kojima, esse isolamento também reduz as chances de encontros espontâneos e de contato com perspectivas inesperadas.
Essa ideia está diretamente ligada a um dos temas centrais de Death Stranding: uma sociedade fragmentada, formada por pessoas isoladas em abrigos e incapazes de se comunicar com o restante do mundo. A crítica de Kojima reforça como o conceito do jogo continua relacionado a problemas concretos da comunicação contemporânea.

