A Google retirou do ar uma nova ferramenta de IA do Google Earth depois que usuários passaram a criar imagens falsas sobre fotografias de satélite, incluindo cenas de desastres naturais e destruição em pontos turísticos famosos. O recurso havia sido apresentado em 30 de julho e permitia gerar imagens personalizadas com base no material aéreo, satelital e 3D do serviço.
Segundo a empresa, a proposta era ampliar o uso da plataforma em diferentes contextos, como apresentações imobiliárias e até apoio a estudantes que quisessem visualizar locais históricos. Na prática, porém, a novidade durou pouco: a função foi removida apenas um dia após o lançamento.
A reação veio depois de alertas de especialistas sobre os riscos de adulterar imagens de satélite. Reportagens publicadas por veículos como a BBC mostraram exemplos de conteúdo gerado pela IA que retratava a Torre Eiffel destruída e as Pirâmides de Gizé engolidas por uma cratera. Em conversa com a NPR, um pesquisador de código aberto também apontou usos semelhantes da ferramenta, enquanto a publicação exibiu imagens de um incêndio florestal no Irã e de uma enchente em Washington, D.C.
Em comunicado divulgado em 31 de julho, a Google afirmou que profissionais de geoinformação estavam encontrando usos úteis para o recurso, mas reconheceu que também havia pessoas compartilhando capturas de tela com imagens que pareciam violar as políticas da empresa. Por isso, a companhia decidiu reverter a mudança e afirmou que trabalha em barreiras de proteção mais fortes.
A empresa ressaltou ainda que as imagens geradas não apareciam na experiência principal do Google Earth e eram marcadas com selo indicando criação por IA. Mesmo assim, a retirada rápida do recurso mostra que, quando a tecnologia encosta em imagens geográficas reais, o risco de abuso cresce muito rápido e exige controles mais rígidos desde o início.

