Fire Emblem Fortune’s Weave chega no Switch 2 com uma ambição nunca antes vista na franquia. Quatro protagonistas, três grandes partes, manipulação de tempo e uma campanha que parece não ter fim. Mas será que esse monstro de conteúdo vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
Vou começar com um aviso: esse não é um jogo para jogar de forma casual, daqueles que você abre só nos fins de semana. Fortune’s Weave exige tempo, paciência e vontade de se perder dentro dele. Se você entrar nele com essa mentalidade, vai encontrar um dos jogos de estratégia mais completos e satisfatórios dos últimos anos.
4 Protagonistas e uma história de escopo ambicioso

A história começa com Eshmel, o avatar customizável, voltando para um Império de Dagda devastado e para a cidade em ruínas de Dagsion. Ao lado da deusa Fortuna, ele volta no tempo para interferir nos Jogos Heroicos do passado. O objetivo é garantir que quatro competidores sobrevivam e se tornem os líderes capazes de consertar essa linha do tempo quebrada.
Esses quatro são Cai, Dietrich, Leda e Theodora, e cada um tem uma motivação que sustenta a própria rota. Cai quer libertar o pai preso. Dietrich quer encarar a fera que o deixou naufragado. Leda é puro desejo de vingança pelo pai assassinado e Theodora luta para reconquistas as terras de seu povo. Ainda existem outras facções, como as de Anatolia, Orchel e Talimun, que aparecem principalmente nas paralogues e dão ao mundo uma sensação de que a história não gira só em torno dos protagonistas.
O jogo é dividido em 3 atos. O ato 1 e 2 têm rotas separadas para cada um dos quatro lordes (apesar do ato 2 ser uma rota igual para todos), o ato 3 junta tudo com Eshmel e todos os sobreviventes de um presente que mudou por causa das suas escolhas no passado. É uma estrutura ousada, e é fascinante ver acontecimentos de uma rota ecoando nas decisões dos personagens de outra.
A história também tem vários momentos dignos de anime, com aquelas viradas meio exageradas que todo mundo sabe como é. Nada que me incomodasse de verdade, porque o elenco é tão carismático e é tudo tão bem feito que no fim a história como um todo é muito interessante e extremamente imersiva. Praticmente tudo tem um propósito dentro do universo compartilhado entre Three Houses e Fortune’s Weave, e fazer esse jogo monstruosamente grande funcionar bem não é uma tarefa fácil, mas a Nintendo realmente conseguiu entregar uma obra prima na história.
Gameplay e mudanças

A maior mudança de fórmula está no que acontece entre as batalhas principais. Aqui o jogo adota um sistema de calendário e tempo livre que lembra bastante Persona e até mesmo o recém lançado Blood of Dawnwalker. Cada ação gasta tempo, e você precisa decidir se vai treinar, conversar com o grupo, explorar o mapa-múndi, fazer missões secundárias ou simplesmente descansar.
Isso muda a forma de jogar. Em vez de ser só uma ponte entre um capítulo e outro, o tempo vira um recurso valioso. Você pode perder um evento na cidade, uma paralogue ou o recrutamento de alguém se estiver no lugar errado na hora errada. Felizmente é possível refazer capítulos, então nada é perdido para sempre, mas a pressão de “será que eu deveria estar em Dagsion agora?” realmente fica na sua cabeça.
As dungeons também ganharam um tratamento especial. Elas são exploradas em tempo real, onde você quebra caixas e cristais atrás de recursos e encara combates com um grupo que compartilha uma única barra de vida. Se seu grupo estiver muito acima do nível, você mata os inimigos em um golpe só de espada e passa direto, uma qualidade de vida que poucos jogos de turno modernos aplicam e é muito bem vinda. O jogo realmente respeita seu tempo quando você quer ir direto ao ponto.
Combate tático majestoso

Com tanta novidade, dá para esquecer que o coração de Fire Emblem é o combate tático, e felizmente ele continua impecável.
As Combat Arts gastam a durabilidade das armas, o que cria uma decisão constante: vale gastar uma arma boa para eliminar esse inimigo agora? Também temos as Blaze Arts, habilidades exclusivas dos personagens mais importantes, que consomem pontos de vida em vez de durabilidade, e você não quer abusar delas sem um curandeiro por perto. Cada lorde tem um estilo próprio, e trocar de um para outro muda bastante a forma como você engaja no combate do jogo.
Os mapas principais também são de tirar elogios, temos: armadilhas, interruptores que precisam ser ativados no mesmo turno, chefes protegidos por barreiras que só caem se você derrotar certos subordinados antes, e situações que forçam você a dividir o exército para sobreviver. A dificuldade é bem calibrada. Existem as Bênçãos dos deuses, a Previsão antes das batalhas importantes, que mostra o terreno e sugere um nível ideal, e a mecânica de voltar o tempo, agora ligada à Fortuna.
Um jogo desse tamanho poderia facilmente se tornar insuportável, e é aqui que o trabalho de qualidade de vida brilha. Dá para pular conteúdo, refazer capítulos, viajar rápido por carruagens e portais de templo, usar atividades automáticas enquanto o tempo passa e ver, no mapa da base, os requisitos de recrutamento de cada personagem. Os dados de personagem passam de uma rota para outra, e os pontos de conquista viram bônus de EXP e descontos em novas partidas. Na segunda parte, ainda existem opções para equilibrar o nível dos aliados menos usados, garantindo que ninguém fique para trás.

Mesmo assim, o jogo é imenso. A primeira parte sozinha me consumiu 100 horas de jogo para fazer as 4 rotas completas. No Three Houses você ficava trancado de fora de ⅔ do conteúdo do jogo, aqui da pra jogar tudo antes de avançar e isso é um baita acerto de Fortune’s Weave. É claro que isso tira um pouco do peso da decisão de qual caminho escolher (já que você pode escolher todos), mas a forma como foi elaborada é inteligente.
O único ponto negativo do jogo que pode impactar é Eshmel, o protagonista. O avatar só ocupa o centro da narrativa no ato 3, e até lá você já passou tanto tempo com Cai, Dietrich, Leda e Theodora que eles acabam sendo os verdadeiros protagonistas. Eu me apeguei muito mais aos quatro lordes do que ao personagem que “é” o jogador.
No lado técnico, o visual não impressiona se comparado com os grandes lançamentos do momento, mas a direção de arte é bonita e funciona bem, o destaque vai para a qualidade absurda das animações. O estúdio decidiu trocar o 2D do Three Houses para Cutscenes feitas totalmente em 3D e ficou excelente, combinando perfeitamente com o resto da arte do jogo. A dublagem é de ótima qualidade em inglês e japonês, com japonês tendo um leve destaque em atuações secundárias, portanto seria a voz que eu recomendaria jogar.
É claro que outro ponto negativo do jogo é a falta de legendas em português, Fortune’s Weave tem uma quantidade avassaladora de diálogos é necessário ter um bom domínio do inglês para realmente aproveitar tudo que o jogo tem a oferecer, e sabemos que infelizmente essa não é uma realidade para a maioria dos brasileiros.
Mas e aí, Fire Emblem Fortune’s Weave vale a pena?

Fortune’s Weave é uma obra monumental, que mistura o combate tático clássico de Fire Emblem com a gestão de tempo de Persona e um elenco enorme de personagens marcantes. Os mapas principais são fantásticos, o sistema de Blaze Arts dá personalidade a cada lorde e o jogo, apesar do tamanho absurdo, quase nunca desperdiça seu tempo.
Para quem curte estratégia e quer um Fire Emblem grandioso, que parece quatro jogos em um e funciona quase como uma carta de amor à própria série, Fortune’s Weave é uma recomendação obrigatória. Só tenha certeza de que não tem outro jogo na fila, porque esse vai morar na sua vida por um bom tempo.
Análise feita com uma chave para Switch 2 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Fire Emblem Fortune’s Weave chega ao Switch 2 como uma obra monumental e ambiciosa, trazendo uma campanha épica em três atos estruturada em torno de quatro lordes protagonistas. O jogo inova a franquia ao combinar o clássico combate tático refinado com sistemas de gestão de tempo no estilo Persona, exploração de dungeons em tempo real e diversas melhorias de qualidade de vida. Apesar da alta exigência de tempo e da falta de localização em português, o título se consolida como uma recomendação obrigatória por entregar uma experiência imersiva, colossal e extremamente gratificante.
Prós
- Gameplay viciante
- Muitos personagens marcantes
- História imersiva e boa de acompanhar
- Jogo denso, mas sem parecer inchado, ele tem tudo que precisa ter para ser bom
Contras
- Sem ptbr
- Protagonistas central apagado na história
