O jornalista Jason Schreier analisou em seu canal a decisão da Sony de encerrar a produção de discos físicos para PlayStation a partir de janeiro de 2028, descrevendo o movimento como o desfecho de uma batalha de décadas da indústria contra o mercado de jogos usados. Segundo a Sony, a mudança não afeta jogos já lançados ou previstos antes dessa data, mas todos os títulos inéditos posteriores a 2028 serão vendidos apenas em formato digital.
Nos anos 2000, o mercado físico era dominante e lojas como a GameStop lucravam intensamente com a revenda de títulos usados, um modelo que prejudicava as editoras, que recebiam receita apenas na venda inicial de cada disco. Para tentar recuperar esse dinheiro perdido, a Electronic Arts lançou o “Project $10”, exigindo códigos de ativação pagos para desbloquear conteúdo online ou DLCs em cópias usadas, o que gerou forte insatisfação dos consumidores e problemas técnicos constantes.
Em 2013, o cenário mudou drasticamente com os anúncios de Xbox One e PlayStation 4: a Microsoft tentou impor um DRM rígido que limitava o uso de jogos usados, mas a recepção foi desastrosa e a Sony aproveitou o momento com a famosa demonstração irônica de “compartilhamento de discos” na E3. Depois desse fracasso, a indústria migrou organicamente para o digital, impulsionada pela internet mais rápida, lojas digitais melhores e consoles com mais armazenamento.
Hoje a GameStop e o modelo de revenda física tornaram-se praticamente irrelevantes, e o CEO Ryan Cohen já afirmou que a decisão da Sony não impacta os negócios da empresa, que vem se realinhando para outras frentes, como colecionáveis. Dados da Circana citados pelo analista Mat Piscatella reforçam essa transição: apenas sete jogos venderam mais de 100 mil unidades físicas nos EUA em 2026, e o próprio analista já disse que o formato físico tem “menos de dez anos de vida útil relevante” na indústria. No caso do PlayStation, as vendas digitais já representam cerca de 85% do total trimestral, contra apenas 19% em 2015.
Apesar da forte reação negativa dos fãs e das preocupações legítimas sobre preservação e acessibilidade de bibliotecas, o fim dos discos é um desfecho lógico baseado em números e na conveniência que o consumidor já escolheu há anos. O que incomoda não é a surpresa da decisão, mas a sensação de que a indústria está fechando de vez a porta para quem ainda valoriza possuir uma cópia física de verdade.


