O Xbox e o Brasil já tiveram um relacionamento muito mais próximo do que na atualidade. O baixo poder aquisitivo do nosso mercado combinava com a estratégia do Xbox Series S, console de custo benefício que a Microsoft criou para a geração atual não só para concorrer com o PlayStation 5, mas também para oferecer uma alternativa de baixo custo para quem quisesse ter um console da geração atual e a garantia de pelo menos 7 a 8 anos de lançamentos chegando à sua máquina.

Infelizmente, essa é uma realidade que não existe mais. Você já tentou comprar um Xbox recentemente que seja vendido e comercializado pela Microsoft ou pela Xbox Brasil? Está simplesmente impossível de achar unidades do tipo, e quem ainda quer entrar no ecossistema do console, se vê obrigado a procurar outras alternativas como o “mercado cinza” em marketplaces como o Mercado Livre e grandes varejistas do comércio, como Amazon, Magazine Luiza e assim por diante.
Recentemente, um inscrito do canal CriticalHits 2.0 comentou que numa ida a um Magazine Luiza, ele perguntou a um vendedor se eles tinham Xbox à venda, e a resposta foi que “a Magazine Luiza não trabalhava mais com a marca”, o que acabou gerando este texto. Poderia ser apenas um ruído de comunicação, e o console estar em falta, mas e se a Microsoft tivesse parado de vender consoles no Brasil mesmo?

Em fevereiro do ano passado, o site Omelete noticiou que não era mais possível encontrar o console Xbox Series X no Brasil de forma oficial, e ao que tudo indica, o mesmo já pode ser afirmado também para o caso do Xbox Series S.
Se você procurar pelo console Xbox Series S em varejistas como Amazon, Magazine Luiza, Extra ou Mercado Livre (links de afiliado quando disponíveis), encontramos consoles apenas na faixa dos 3 mil reais e nenhum deles vendido de forma oficial pela Microsoft do Brasil, apenas consoles vendidos por lojas menores que certamente não obtiveram estas máquinas pela distribuidora oficial do console aqui no Brasil, e todos com o preço acima dos 3 mil reais.
Para sanar a questão, entramos em contato com a própria assessoria do Xbox no Brasil, que nos respondeu com uma resposta evasiva:
“No momento não temos nenhum retorno/posicionamento de Xbox.”.
Quando questionado, o Magazine Luiza, que motivou esta investigação, deu o seguinte retorno:
“O Magalu não vende mais videogames Xbox por meio do chamado 1P, produtos de estoque próprio da companhia, mas segue comercializando o console e seus acessórios por meio dos varejistas parceiros do seu marketplace. Também é possível encontrar o console físico para compra no marketplace do KaBuM!, empresa de tecnologia e games do grupo.”
A ausência da venda oficial do Xbox no Brasil é um problema para novos compradores, já que reduz o acesso a preços competitivos, limita o suporte técnico local e enfraquece a proteção ao consumidor. De acordo com os termos da Microsoft, a Microsoft Brasil pode recusar o atendimento em garantia. Em alguns casos, o suporte até aceita abrir chamado se o console estiver registrado e com nota fiscal estrangeira, mas não é garantido.
Além disso, sem a presença oficial e um preço recomendado, que geralmente acaba se tornando o preço máximo praticado pelos varejistas, o preço do console acaba disparando e ficando muito mais vulnerável a flutuações cambiais e de oferta, fenômeno este que já se observa.

Este não é um fenômeno exclusivo do Brasil, infelizmente. A ausência de vendas oficiais e a escassez de unidades também vêm sendo reportadas em outros mercados considerados menores ou estratégicos, como Áustria, alguns países do Oriente Médio e partes da Europa Oriental. Relatos da comunidade e da imprensa especializada indicam redução de estoque, menor presença em grandes varejistas e possível retração da estratégia de distribuição da Microsoft nesses territórios, o que reforça a percepção de que a empresa está priorizando mercados específicos em detrimento de outros. Esse movimento amplia a incerteza para consumidores dessas regiões e levanta preocupações sobre suporte, reposição de consoles e continuidade da marca nesses países.
Com a aproximação da próxima geração, incertezas no mercado de hardware devido aos crescentes preços de componentes como memória ram e SSDs, ter uma opção a menos, e a que anteriormente era a de melhor custo benefício, é péssimo para o consumidor.

