A decisão da Sony de encerrar a produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028 já começou a gerar reação no mercado, e um dos comentários mais duros veio de Mike Ybarra, ex-presidente da Blizzard. Em publicação no X, ele afirmou que os jogadores não deveriam ter de “temer” perder títulos que já compraram, em meio à transição cada vez mais acelerada para o digital.
Sad to see this happening across the entire gaming industry. I guess it was going to happen at some point, but I didn't think it would be this soon.
I'm not a collector and I only buy digital so it doesn't impact me. What I personally don't like is the Christmas mornings and… https://t.co/D3kh7kjVd6
— Mike Ybarra (@Qwik) July 2, 2026
A Sony confirmou recentemente que deixará de fabricar mídias físicas para todos os novos jogos de PlayStation lançados depois do prazo. Os títulos publicados antes disso seguirão à venda em disco, mas tudo o que vier depois do corte chegará apenas em formato digital, pela PlayStation Store ou por varejistas que vendem códigos. A empresa descreveu a mudança como um “caminho natural”, argumentando que as compras digitais já superam as físicas há algum tempo.
Para Ybarra, a direção do setor não foi uma surpresa, embora ele tenha dito estar triste com a decisão e que esperava que isso acontecesse mais tarde. Ele também destacou que, mesmo não sendo um colecionador e comprando jogos digitais, enxerga um problema claro na experiência de quem ainda valoriza a mídia física. Segundo ele, datas como manhãs de Natal e festas de aniversário perdem parte do encanto quando a criança abre o jogo e precisa esperar horas para baixar o conteúdo antes de jogar.
Em vez de defender apenas a manutenção dos discos, o ex-executivo sugeriu que as empresas deveriam tornar a posse digital mais confiável para o consumidor. A proposta central dele é criar uma espécie de “promessa digital”, que dê aos jogadores segurança de que os títulos comprados continuarão acessíveis no futuro. Ybarra também defendeu a possibilidade de compartilhar jogos digitais com mais facilidade e até de revenda entre usuários, algo que ele considera essencial para um mercado justo.
Outro ponto levantado por ele foi a necessidade de as plataformas explicarem com mais clareza como será essa transição. Na visão de Ybarra, o setor só vai conquistar a confiança do público se mostrar que existe um plano real para preservar acesso, liberdade e direitos de quem investe em jogos. A discussão ganha ainda mais peso porque a decisão da Sony veio logo depois de a Rockstar confirmar que GTA 6 não terá disco, mesmo na edição mais cara. No fim das contas, o debate já não é só sobre formato: é sobre o quanto as empresas estão dispostas a garantir que o jogo comprado continue sendo, de fato, do jogador.


