Ex-CEO do PlayStation critica jogos feitos apenas com o objetivo de fazer sucesso

Shawn Layden, ex-CEO da Sony Interactive Entertainment America, criticou a estratégia de estúdios que desenvolvem jogos pensando primeiro no potencial de sucesso comercial, em vez de apostar em ideias nas quais suas equipes realmente acreditam. Para o executivo, muitos projetos atuais parecem ser construídos a partir da tentativa de reproduzir uma fórmula vencedora, e não de uma visão criativa genuína.

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Durante uma conversa no podcast The Expansion Pass, Layden afirmou que alguns desenvolvedores estão tentando criar “aquilo que acham que vai fazer sucesso”, em vez de transformar em jogo uma ideia que alguém da equipe sente que precisa realizar. Ele evitou classificar essa postura como uma tentativa de agradar ao mercado, por considerar o termo duro demais, mas deixou clara sua preocupação com a falta de identidade em parte da produção AAA.

O cenário é especialmente evidente em projetos de orçamento elevado. Com custos cada vez maiores, grandes editoras tendem a priorizar experiências baseadas em fórmulas já testadas, como aventuras cinematográficas em terceira pessoa, mundos abertos e jogos como serviço. A busca por um novo fenômeno no estilo Fortnite também levou diversas empresas a investir em títulos com modelos semelhantes, mesmo quando o mercado já demonstra dificuldade para absorver vários jogos desse tipo ao mesmo tempo.

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Layden, no entanto, ressaltou que liberdade criativa não significa ausência completa de direção. Ao comentar o encerramento ou a mudança de foco de estúdios que trabalhavam em projetos autorais, ele afirmou que uma visão artística ainda precisa de orientação. Segundo o executivo, jogos criados sem nenhum tipo de limite ou supervisão podem chegar ao mercado sem clareza sobre o que pretendem oferecer. Por isso, ele defende a presença de “guardiões” capazes de preservar a ambição do projeto e, ao mesmo tempo, ajudar a transformá-la em uma experiência coerente.

A observação expõe um dos principais conflitos da indústria atual: equipes podem ter ideias originais, mas dependem de empresas dispostas a financiar riscos durante anos. Na prática, a pressão por retornos previsíveis costuma favorecer sequências, franquias conhecidas e projetos que tentam seguir tendências. Nesse contexto, a defesa de Layden não é apenas por mais experimentação, mas por uma combinação entre autoria e liderança criativa. Sem essa orientação, a liberdade pode perder força; sem espaço para riscos, os grandes lançamentos continuam cada vez mais parecidos entre si.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.