Durante a divulgação do relatório financeiro do quarto trimestre do ano fiscal de 2025, executivos da Sony admitiram que o timing do próximo PlayStation ainda não foi definido, e o principal obstáculo é a escassez global de memória, componente crítico para o novo hardware. A empresa projeta que os preços desse insumo continuarão elevados ao longo de 2026, o que força a companhia a avaliar “novos modelos de negócio e produtos” antes de bater o martelo sobre o lançamento. O rumor de que o PS6 poderia chegar apenas em 2028 ou até mais tarde começa a ganhar respaldo oficial.
PS5 ainda sustenta os números, mas o ritmo desacelerou

No campo dos resultados, o segmento de Games & Network Services continua sendo o maior da Sony em receita, registrando US$ 31,1 bilhões no ano fiscal. As vendas totais da companhia chegaram a US$ 82,8 bilhões, alta de 4% em relação ao ano anterior, com lucro operacional de US$ 9,6 bilhões, crescimento de 13%.
O PS5 fechou o ano fiscal com 15,9 milhões de unidades vendidas, superando a própria projeção conservadora da Sony de 15 milhões. O total acumulado desde o lançamento chegou a 93,7 milhões de unidades. Porém, o último trimestre mostrou desaceleração preocupante: foram apenas 1,5 milhão de unidades no Q4, contra 2,8 milhões no mesmo período do ano anterior, queda de quase 50%.
O crescimento real do segmento veio dos serviços. O PlayStation Plus e a PlayStation Store foram os principais motores de receita e lucro operacional. Os Usuários Ativos Mensais chegaram a 125 milhões em março, recorde para um quarto trimestre, com alta de 1% ano a ano.
Bungie custa caro, de novo
O resultado do segmento de games teria sido consideravelmente melhor se não fosse o rombo causado pela Bungie. A Sony registrou uma perda por impairment de quase US$ 800 milhões relacionada ao estúdio, além de outros US$ 121 milhões em correções de custos de desenvolvimento capitalizados incorretamente. Em termos práticos, a Sony reconheceu formalmente que o valor contábil dos ativos da Bungie não condiz com a realidade, o que equivale a admitir, ainda que implicitamente, que a aquisição por US$ 3,6 bilhões em 2022 foi um negócio ruim. O desempenho fraco de Destiny 2 e o início de Marathon não ajudam a construir um argumento contrário.
Para o ano fiscal de 2026, a Sony projeta queda de 6% nas vendas, atribuída à redução nas vendas de hardware do PS5, mas alta de 30% no lucro operacional, justamente porque o impacto da Bungie não se repetirá. O lucro operacional do segmento de games, excluindo itens não recorrentes, deve ficar estável por conta dos investimentos no desenvolvimento do PS6.
A indefinição sobre o PS6 é o sinal mais preocupante do relatório para quem acompanha o mercado de consoles. A Sony claramente não tem controle sobre uma variável externa decisiva, e postergar o lançamento significa deixar espaço para concorrentes consolidarem presença. Se o PS6 realmente escorregar para 2028, a geração atual do PS5 terá durado quase oito anos, um dos ciclos mais longos da história da plataforma.


