A decisão da PlayStation de encerrar a mídia física a partir de janeiro de 2028 já começou a gerar reação fora do universo dos games. Depois de a marca anunciar a mudança e informar que sua maior fábrica está realocando funcionários, a deputada Erika Hilton disse que vai encaminhar denúncias à Secretaria Nacional do Consumidor por conta das possíveis consequências para quem compra consoles e jogos da empresa.
A manifestação foi feita no X, onde a parlamentar afirmou que recebeu queixas sobre o anúncio e disse que não aceita que consumidores sejam prejudicados pela transição para o digital. No comunicado, Erika Hilton argumentou que os consoles vendidos atualmente ainda contam com leitor de mídia física e continuam no mercado, inclusive com versões mais caras justamente por incluírem esse recurso. Para ela, isso cria a expectativa de que o leitor seguirá tendo utilidade nos próximos anos.
Outro ponto levantado pela deputada diz respeito aos jogos que já foram anunciados, mas ainda não chegaram às lojas. Segundo a parlamentar, é preciso apurar se a Sony teria usado títulos que podem sair apenas em formato digital para promover o PlayStation 5, que também é vendido com leitor de discos. Na avaliação dela, essa possibilidade merece investigação por órgãos de defesa do consumidor.
Erika Hilton também criticou o modelo de distribuição digital, afirmando que, na maioria dos casos, o consumidor não compra o jogo de forma definitiva, mas apenas recebe uma licença de uso. Ela destacou que essas licenças podem ser canceladas pelas empresas, o que faria com que um título desaparecesse da biblioteca do jogador. Além disso, apontou que a venda exclusivamente digital fortalece o controle das plataformas sobre o mercado, reduzindo possibilidades como revenda e empréstimo.
No texto, a deputada ainda relacionou o caso a uma tendência mais ampla da indústria, citando práticas da Microsoft, da Sony e ações judiciais da Nintendo contra quem preserva arquivos de jogos fora de circulação. Para ela, esse cenário aponta para um futuro em que os jogadores deixarão de ter acervos próprios e dependerão cada vez mais de assinaturas e serviços com diferentes níveis de preço.
A reação de Erika Hilton coloca um tema importante no centro do debate: o fim da mídia física não é apenas uma mudança comercial, mas uma decisão que mexe com posse, acesso e preservação de jogos. Se a transição para o digital vai se tornar dominante, a discussão sobre direitos do consumidor tende a ficar cada vez mais difícil de evitar.


