A Epic Games está expandindo o uso de inteligência artificial internamente, e uma executiva sênior de Fortnite garantiu que a tecnologia não tem como objetivo eliminar empregos, mas sim tornar as equipes mais eficientes. A declaração, porém, chega em um contexto que torna difícil ignorar as contradições.
Stephanie Arnette, gerente sênior de desenvolvimento externo de Fortnite, falou sobre o assunto durante um painel na Gamescom Latam. Segundo ela, a Epic vem explorando diferentes ferramentas de IA para apoiar seus jogos, e o foco está em acelerar tarefas trabalhosas, não em substituir trabalhadores. “O objetivo é nos tornar mais eficientes”, afirmou.
O problema é que essa declaração vem poucos meses depois de a Epic Games demitir mais de mil funcionários em março, com o CEO Tim Sweeney atribuindo os cortes a custos operacionais superando a receita. Prometer que a IA não vai “tirar todos os empregos” enquanto a empresa acaba de passar por uma das maiores rodadas de demissões da sua história é, no mínimo, uma combinação difícil de engolir.
O uso de IA na Epic vai além da produtividade em Fortnite

Arnette admitiu que a exploração de IA também envolve “o campo artístico”, sem entrar em detalhes. Isso é relevante porque ferramentas de IA generativa, capazes de produzir imagens, textos e áudio, são muito mais polêmicas do que soluções de automação de fluxo de trabalho. Em dezembro de 2025, jogadores de Fortnite acusaram a Epic de usar IA generativa para criar assets artísticos no jogo. A empresa negou.
Fora do universo dos games, o CEO Tim Sweeney já defendeu publicamente que a Steam deveria abandonar a exigência de divulgação de uso de IA por desenvolvedores, classificando o requisito como algo que “não faz sentido para lojas de jogos”. A Epic Games Store, sua própria plataforma, não obriga desenvolvedores a informar se usam IA em seus títulos.
A postura da Epic é um retrato fiel da ambiguidade que domina a conversa sobre IA na indústria: fala-se em eficiência e apoio aos criadores, mas os detalhes sempre ficam vagos quando o assunto chega nas aplicações mais sensíveis. Com um processo judicial aberto, acusações de uso de arte gerada por IA e mais de mil demissões recentes no currículo, as garantias de que “não é para substituir ninguém” precisam de muito mais do que declarações em painéis para serem levadas a sério.
Fonte: Gamesradar+


