A Electronic Arts pode enfrentar uma nova rodada de demissões em massa nos próximos meses. Segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, a publisher já informou a intenção de cortar US$ 700 milhões em custos anuais, incluindo US$ 170 milhões classificados como “eficiências organizacionais”, expressão que analistas do setor associam diretamente a cortes de pessoal em larga escala.
O alerta surge dias depois da EA concluir sua venda para um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, negócio avaliado em US$ 55 bilhões, sendo considerada a maior aquisição alavancada da história. É justamente essa operação, e a dívida que ela deixou sob responsabilidade da empresa, que está por trás do temor de novos cortes.

Segundo Schreier, o EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) anual da EA soma cerca de US$ 1,5 bilhão, valor suficiente para cobrir os juros da dívida, estimada em US$ 18 bilhões, mas insuficiente para reduzi-la ao longo do tempo. Diante desse cenário, a redução de custos se tornou prioridade para a empresa, que agora responde a um grupo bem menor de investidores do que quando era negociada na bolsa.
O histórico recente da EA reforça essa preocupação. Em 2025, a empresa demitiu entre 300 e 400 funcionários, incluindo cerca de 100 na Respawn Entertainment, o que resultou no cancelamento de um novo jogo da franquia Titanfall. Em março deste ano, cortes atingiram ainda as equipes responsáveis por Battlefield 6, nos estúdios da DICE, Criterion, Motive e Ripple Effect. Mesmo diante desses episódios, o CEO Andrew Wilson recebeu mais de US$ 38 milhões em remuneração no último ano fiscal, aumento de US$ 8 milhões em relação a 2025.

Sobre a aquisição em si, o grupo controlador reúne o PIF, que fica com 93,4% da EA, além da Silver Lake e da Affinity Partners. Parte da operação foi viabilizada por um empréstimo de cerca de US$ 20 bilhões junto ao JPMorgan Chase, classificado pelo próprio banco como o maior já concedido por uma única instituição para esse tipo de negócio. Com a venda concluída, a EA deixa de ter ações negociadas na bolsa depois de mais de três décadas como companhia de capital aberto, e Wilson permanece no cargo.
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