Dragon Quest VII Reimagined é um projeto um tanto quanto ambicioso: pegar o capítulo da série que mais bem vendeu no Japão e melhorar seus principais pontos fracos, mantendo o produto atraente para o ocidente enquanto não perde sua essência original e ainda por cima adiciona um novo estilo de arte ao jogo fugindo um pouco da ideia original concebida por Akira Toriyama. Será que esse novo jogo consegue atender às expectativas?

Em Dragon Quest VII Reimagined, você controla um herói nomeado por você que é o melhor amigo de Kiefer, príncipe do reino de Argonia. Tanto o herói quanto Kiefer sonham em explorar o mundo, pois no jogo, vocês vivem em uma ilha que não tem absolutamente nada no mundo além de mar.

Isso que eu acabei de descrever, é mais ou menos a primeira hora de Dragon Quest VII Reimagined, e depois dela, o que encontramos no jogo é mais ou menos a mesma repetição pelas próximas 25 a 30 horas de ir até a próxima ilha (que está no passado), resolver o problema da ilha, voltar ao presente, encontrar a ilha no presente, ir ver como as coisas estão por lá, às vezes resolver algum problema no presente também e encontrar as próximas partes do tablet da próxima ilha.
Cada ilha conta uma história diferente, sendo que algumas são boas, e algumas são bem qualquer coisa. O problema aqui é que a história do jogo em si praticamente não avança durante esse tempo todo, exceto por umas duas ou três ilhas das 13 disponíveis para você visitar durante o jogo (sendo que 9 delas são obrigatórias e 4 opcionais).
Para ser honesto com o jogo, há alguns momentos bem legais em alguns momentos dessa etapa do jogo, mas sinceramente falando, o saldo que fica é negativo, pois mesmo cada ilha nova durando de uma hora a duas, a resolução dos problemas em si é bem ruim, você chega no lugar, eles acreditam que você é o salvador a troco de nada na maioria dos casos, o problema é ir matar algum grupo de inimigos, voltar, bater um papo com o Rei e pronto, você nem sabe direito o que acontece depois disso.
No meio dessas histórias, exceto por uma delas, não há praticamente nenhum tipo de desenvolvimento de personagem, você não recebe quase nenhum tipo de pista do porque o mundo ficou assim, apenas vai encontrando capangas do grande vilão do mal que nunca aparece em nenhum momento dessa etapa da história e não diz a que veio e o que quer.
Se essa etapa do jogo fosse mais curta, e o jogo seguisse para o seu próximo arco, que acaba sendo a etapa final do jogo, isso não seria um problema, pois daria para reorganizar melhor, inserir alguma nova etapa antes da grande batalha final ou algo do tipo, mas não, quando o jogo realmente progride na sua história, ele já está no seu arco final e acaba devendo demais, pois o processo de condução da história é dolorosamente lento e maçante, num nível que eu sinceramente não sei quantos jogadores vão conseguir aguentar até chegar o momento em que a história oferece algo de diferente.
E não é só a progressão do enredo que é realmente dolorosa, o progresso dos personagens também. Cada persoangem começa com uma classe própria diferente do que foi apresentado em Dragon Quest até aqui, e até o momento em que você chega em Alltrades para aprender a trocar a classe do seu personagem (este, aliás, é um dos melhores arcos do jogo), você já pegou o Master da sua classe inicial há pelo menos umas duas horas.
Depois disso, cada personagem pode equipar uma nova classe mas caso você não tenha alguém que possa curar seus personagens, coisa que mais de um personagem da classe inicial podia, você provavelmente vai sofrer com as batalhas, pelo menos até o momento em que você desbloqueia a possibilidade de equipar duas classes ao mesmo tempo, e assim progredir com o dobro da velocidade ou com 60% de velocidade a mais numa classe única caso você equipe uma classe masterizada juntamente com a classe que você está treinando.
Mas mesmo assim, o progresso das classes dentro do jogo é um tanto quanto sem sentido, pois desde o começo do jogo, 90% dos inimigos que você vai enfrentar vão te dar 5 pontos de progressão de classe a cada batalha, não importa se você enfrente um inimigo ou 15 na mesma batalha, a quantidade de pontos vai ser a mesma, ou seja, compensa mais enfrentar inimigos fracos para upar as classes do que inimigos fortes.
A progressão de níveis, algo que costuma ser lento em Dragon Quest, felizmente é bastante tranquilo em Dragon Quest VII Reimagined, não há necessidade para ficar grindando níveis antes de alguma batalha contra um chefe ou ao chegar em uma nova área, e o dinheiro que você ganha nas batalhas também é o suficiente na maior parte do tempo. Além disso, o jogo mudou em relação ao original, agora é possível enxergar os inimgos no mapa e atacá-los antes de começar o combate: caso o seu grupo seja forte o suficiente, você derrota o inimigo sem a batalha iniciar e ganha cerca de um décimo da experiência, dinheiro e pontos de habilidade que ganharia se fosse para a batalha de verdade.
Graficamente, Dragon Quest VII Reimagined é um belo jogo e eu sinceramente gostei do novo estilo de arte empregado nele. Os cenários são bonitos e os monstros, expressões faciais dos personagens e tudo mais ficou muito legal. Eu sei que o que eu vou falar é algo óbvio, mas há diversos momentos da história em que o visual lembra bastante Blue Dragon, jogo desenvolvido pela Mistwalker para o Xbox 360 e fortemente inspirado em Dragon Quest.
Por fim, a trilha sonora do jogo também me desagradou e acabou ajudando a deixar o jogo ainda mais cansativo. O jogo não tem exatamente uma trilha sonora por região e sim por locais. Toda igreja toca a mesma música, todo castelo toca a mesma música, algumas cidades têm músicas iguais e a batalha tem só uma trilha, seja para enfrentar um rato, seja para enfrentar um inimigo super poderoso. Isso infelizmente acaba deixando a gente ainda mais com a impressão de que estamos repetindo a mesma tividade à exaustão, ao invés de oferecer algo que refresque a experiência.
Para completar, o jogo infelizmente não conta com legendas em português, apenas em inglês, japonês, outros idiomas europeus e chinês, além de dublagem em inglês e japonês. A dublagem ficou boa, mas é uma pena que quem não tem o domínio de algum desses idiomas não vai poder aproveitar o jogo.
Mas e aí, Dragon Quest VII Reimagined vale a pena?
Dragon Quest VII Reimagined é um jogo bastante cansativo, com uma história maçante que demora demais para avançar e que vai fazer você repetir a mesma uma hora e meia durante vinte e poucas horas antes de algo realmente diferente acontecer. A trilha sonora repetitiva ainda por cima contribui ainda mais para esse ponto negativo. Infelizmente a nova apresentação visual e o enredo retrabalhado não conseguem corrigir as principais falhas desse clássico do PS1.
Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecido pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Dragon Quest VII Reimagined tenta modernizar um dos capítulos mais populares da franquia ao reformular seu visual, ajustar sistemas e preservar a essência do original, mas acaba esbarrando em problemas sérios de ritmo e estrutura. A jornada inicial apresenta uma proposta interessante, com viagens ao passado para restaurar ilhas e resolver conflitos, porém o jogo repete essa fórmula por dezenas de horas, com pouco avanço real da história principal e desenvolvimento quase inexistente dos personagens e do vilão.
Dragon Quest VII Reimagined também sofre com progressão de classes mal balanceada, trilha sonora extremamente repetitiva e uma narrativa que só ganha força quando já está próxima do arco final. Apesar dos gráficos bonitos, do novo estilo de arte e de melhorias pontuais no combate e na progressão de níveis, o conjunto geral se mostra cansativo e pouco recompensador, fazendo com que o remake não consiga corrigir as falhas estruturais mais marcantes do clássico original.
Prós
- Belos gráficos e apresentação visual
- Bom sistema de combate
Contras
- Ritmo de condução da história lento
- Bastante repetitivo
- Trilha sonora maçante
- Progressão de classes lenta








