Resident Evil 4 ganhou uma demonstração inusitada no Nokia N95, celular lançado em 2007. O desenvolvedor argentino Dante D. Leoncini publicou o primeiro teste de uma cena do jogo rodando no aparelho e explicou que o principal desafio não está na renderização, mas no processamento das animações dos personagens.
1° test of a Resident Evil 4 cutscene running on the Nokia N95. As usual, skinning is the real bottleneck, not rendering. The N95's CPU has to process thousands of vertices in just milliseconds, with animations for eyes, mouth, hair, clothes, and fingers. etc. pic.twitter.com/xYcyGb4OZu
— Dante D. Leoncini (@dante_leoncini) October 1, 2026
Segundo Leoncini, o processador do Nokia N95 precisa lidar com milhares de vértices em poucos milissegundos para atualizar os personagens durante a cena. Isso inclui elementos como olhos, boca, cabelos, roupas e dedos.
O chamado skinning é a técnica utilizada para deformar a malha 3D de um personagem de acordo com seu esqueleto e permitir que as diferentes partes acompanhem os movimentos. No teste, esse processo acaba sendo mais pesado para o hardware do que a própria renderização da cena.
O resultado é particularmente curioso considerando as limitações do Nokia N95. O aparelho utiliza um processador ARM11 de 332 MHz e possui dois núcleos, hardware bastante distante das plataformas para as quais Resident Evil 4 foi originalmente desenvolvido.
A demonstração também combina com características técnicas do próprio Resident Evil 4 original. As cenas do jogo eram renderizadas em tempo real e utilizavam animações faciais detalhadas, com diferentes expressões e articulações nos personagens. A equipe da Capcom chegou a utilizar dezenas de alvos de animação facial para personagens como Ashley.
Leoncini já havia demonstrado outros projetos envolvendo o Nokia N95, incluindo uma versão de Half-Life rodando no aparelho. O novo teste mostra até onde é possível levar o hardware de um celular lançado há quase duas décadas por meio de otimizações e programação de baixo nível.

