Criador de ReStory pede para jogadores piratearem jogo em vez de comprar chaves revendidas

A Dicehit Games chamou atenção ao pedir que jogadores pirateiem seus jogos em vez de comprar chaves revendidas em sites de mercado cinza. A declaração foi feita depois que o estúdio percebeu que ReStory: Chill Electronics Repairs estava sendo vendido por preços muito baixos no Instant-Gaming, o que, segundo a equipe, costuma indicar que alguém revendeu um código promocional gratuito que deveria ter ido para criadores de conteúdo e veículos de imprensa.

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O posicionamento veio em uma publicação feita em 10 de agosto no X. No texto, a desenvolvedora explicou que esses códigos foram distribuídos sem custo justamente para gerar cobertura sobre o jogo, mas acabaram sendo colocados à venda por terceiros. Para a equipe, isso significa que o estúdio não recebe nada pela transação e ainda vê sua boa-fé ser explorada. Em uma das mensagens, a Dicehit Games resumiu a situação dizendo que, se alguém achar que os jogos estão caros demais e ainda assim pretende recorrer a um site de códigos, seria melhor piratear o título.

A empresa fez questão de separar esse caso de vendas legítimas em grande volume para revendedores, prática que algumas desenvolvedoras usam como forma de financiamento. Não era o caso da Dicehit Games. Como o estúdio tem apenas quatro pessoas, também seria inviável rastrear quais chaves foram ativadas por avaliadores reais e quais acabaram revendidas, então a equipe optou por não desativar os códigos para não prejudicar quem recebeu o material corretamente.

Em uma mensagem posterior, o estúdio resumiu a lógica por trás da decisão: se o jogador pirateia o game ou compra uma chave promocional revendida, a desenvolvedora continua sem ganhar nada. A diferença, segundo a equipe, é que pelo menos a pirataria não enche o bolso de um intermediário. Além disso, a Dicehit Games argumentou que um jogador que baixa ilegalmente ainda pode divulgar o jogo, enquanto o revendedor apenas lucra com algo que não produziu.

O caso entra para uma lista crescente de reações de estúdios independentes contra práticas que drenam receita justamente de equipes pequenas, como aconteceu no ano passado com a desenvolvedora de Farthest Frontier, que criticou um jogador por exigir correções em uma cópia pirateada. No fim, a fala da Dicehit Games escancara um problema recorrente do mercado indie: quando a distribuição de chaves foge do controle, o prejuízo quase sempre fica com quem menos tem margem para absorvê-lo.

Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.