David Jaffe, criador da franquia God of War e uma das vozes mais conhecidas da história da PlayStation, publicou um vídeo desabafo após a revelação de que Shuhei Yoshida foi forçado a deixar a liderança dos PlayStation Studios em 2019 por se recusar a cumprir ordens que considerou “ridículas” do então CEO Jim Ryan. O criador não poupou palavras e foi direto ao ponto: a Sony perdeu sua identidade ao trocar executivos apaixonados por jogos por figuras essencialmente corporativas.
“Estriparam o coração e a alma da divisão executiva da PlayStation”, afirmou Jaffe no vídeo, usando uma linguagem que reflete a gravidade com que ele enxerga as mudanças de liderança ocorridas na empresa ao longo dos últimos anos.
Jim Ryan no centro das críticas

Jaffe descreveu Jim Ryan como um “político maquiavélico” que, ao contrário dos executivos da geração anterior, não tem a mesma compreensão genuína sobre jogos que tornou a PlayStation o que ela é. Para o criador, a saída de Yoshida não foi um episódio isolado, mas parte de um padrão que incluiu a perda de outros nomes fundamentais para a construção da marca, como Shawn Layden, Connie Booth e Allan Becker.
Segundo Jaffe, todos esses profissionais saíram pelo mesmo motivo: não quiseram ou não souberam jogar o jogo político corporativo que Ryan instalou na companhia. A diferença, segundo ele, é que essas pessoas ainda tinham muito a contribuir com a PlayStation antes de serem empurradas para fora.
A revelação de Yoshida veio durante o festival australiano ALT: GAMES 2026, onde o executivo confirmou publicamente que foi removido do cargo porque não obedeceu a Ryan e se recusou a atender demandas que descreveu como absurdas. O que exatamente Ryan pediu ainda não foi revelado, mas o contexto da era que se seguiu, marcada pela aposta em jogos como serviço que resultou em fracassos como Concord e no fechamento de estúdios como Bluepoint Games, alimenta as especulações.
Para Jaffe, o recado final para os fãs é simples e duro: a Sony que existe hoje não é a mesma empresa pela qual eles criaram nostalgia. As pessoas que construíram essa identidade foram substituídas, e o que ficou é uma estrutura corporativa que prioriza política interna em detrimento do talento e do legado que tornaram o PlayStation uma das marcas mais amadas da história dos games.


