O cofundador de Call of Duty afirmou que a Activision pressionou desenvolvedores para criar uma campanha envolvendo o Irã atacando Israel, segundo declaração recente feita nas redes sociais. A revelação veio de Chance Glasco, um dos membros originais da Infinity Ward e um dos criadores da franquia.
Glasco comentou o assunto após um vídeo publicado pela conta oficial da Casa Branca nas redes sociais usar elementos visuais de Call of Duty em imagens relacionadas aos ataques militares contra o Irã. O conteúdo misturava imagens reais do conflito com interface típica do jogo, incluindo minimapa e notificações de experiência.
Segundo o desenvolvedor, a situação o fez lembrar de um episódio ocorrido anos atrás durante o desenvolvimento da franquia.
Desenvolvedor diz que ideia foi rejeitada pela equipe
This doesn't surprise me. I remember after Activision took over post-Respawn formation there was a very awkward pressure from Activision for us to make the next CoD about Iran attacking Israel. Luckily the vast majority of our devs were disgusted by the idea and it got shot down. https://t.co/taTIsQUklI
— Chance Glasco (@ChanceGlasco) March 4, 2026
De acordo com Glasco, após mudanças internas na estrutura da Infinity Ward, a Activision teria pressionado o estúdio para criar um novo Call of Duty cuja campanha mostraria o Irã atacando Israel.
Ele afirmou que a proposta gerou desconforto dentro da equipe de desenvolvimento. Segundo o relato, a maioria dos desenvolvedores reagiu negativamente à ideia e o projeto acabou sendo rejeitado.
Glasco foi um dos 22 desenvolvedores que deixaram o estúdio responsável por Medal of Honor no início dos anos 2000 para fundar a Infinity Ward. Dentro da franquia Call of Duty, ele trabalhou como animador principal em vários títulos da série.
Conflitos internos marcaram a história da Infinity Ward
Em 2010, os fundadores da Infinity Ward foram demitidos pela Activision após acusações de insubordinação. O episódio marcou um dos momentos mais turbulentos da história da franquia Call of Duty.
Após a saída do estúdio, Jason West e Vince Zampella fundaram a Respawn Entertainment, que posteriormente se tornaria conhecida por jogos como Titanfall e Apex Legends.
A partir desse momento, a Activision passou a exercer controle maior sobre a produção de novos jogos da série.
Desenvolvedores queriam mostrar que guerra não é entretenimento
Durante a discussão nas redes sociais, Glasco também comentou sobre a intenção original da equipe ao desenvolver as campanhas dos primeiros Call of Duty.
Segundo ele, os desenvolvedores queriam mostrar que a guerra não deveria ser vista apenas como entretenimento. A equipe buscava criar momentos que fizessem os jogadores refletirem sobre o impacto dos conflitos.
Um exemplo citado foi a missão No Russian, presente em Call of Duty Modern Warfare 2. A fase mostra um massacre em um aeroporto e ficou conhecida por gerar forte reação entre jogadores.
Glasco afirmou que muitos jogadores simplesmente paravam de jogar ao perceber o que estava acontecendo na missão. Devido à intensidade da cena, os desenvolvedores adicionaram a opção de pular o nível.
Ele também destacou que era possível completar a missão sem atirar em civis, embora muitos jogadores não soubessem disso.

